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Entre mentiras e confidencialidades

Quem me deixou, andar por ai distraído? Quem me deixou, por via de jocosa atitude, deixar estas canetas espalhadas por ai? Quem me deixou, se o engenho não me confunde, deixar por mãos alheias o que vai sendo feito? Quem me deixou, se a virtude é fugaz, deixar esquecida toda a memória e oculto todo o mundo? Quem me deixou, quem me permitiu essa perda? Quem me deixou? Quem me deixou assim perdido? Quem me deixou, pintar essa tela, desenhar o rasgo do horizonte, pintar o mundo, colorir a vida para simplesmente me deixar perder essas canetas? Quem me deixou ficar naquele lugar, sendo que fui o primeiro a chegar, hei-de ser também o ultimo a sair? Quem me deixou consumir a lua e roubar toda a luz do mundo? Quem me deixou fazer coisas inumanas? Quem me deixou violar mil e uma coisas das quais jamais ouvi falar? Quem me deixou então ser julgado? Quem me deixou arrebatado? Quem me deixou então…? Quem me deixou? Deixou-me a dúvida que se sublimou a estupidez… Deixou-me a incapacidade de respon...
Somos senão reclusos desconhecidos de palavras, entregues a boémia, tunantes por natureza, seres de inconstância e inconstantemente descontentes, privados de uma realidade una sujeitos as falácias desta vida. Quem mandará em nós? Quem fará de nós algo que não somos e quem nos identificará como sendo senão quem realmente somos? Não quem, mas o que somos nós? Perdidos constantemente por linhas escritas, devorados por litros de tinta gastos… Apresentamos o sorriso que nos foi dado talvez um pouco roubados, talvez um pouco injustiçados. Que seremos nós? Agita-se esta questão, revolta-se todavia o mundo, nada é senão o que aparenta não ser e assim, ainda que estranhamente composto, tudo é dúbio, revoltado e mal estruturado. Sentimos esse ar mal sentido, ouvimos essa lenta valsa enquanto salto-mos ao som de algo mais pesado. Escondemos algo misteriosamente exposto aos olhos de todos e por falta de vontade, negamos meio a meio mundo a dor que vai nos nossos olhos. Cai-mos em revolta, jorram l...

Por falta de ti

Que te deixaria, pobre alma, fora da tua usual calma, da tua paz serena e imutável enfim, fora de ti mesma e mediante tal agravado estado de desconcerto e inconstância? Que te deixaria, pobre espírito, fora de ti, perdido por um ermo, enlevado por sina e tristemente contemplado? Não, não contarei atingir um estado de demência. Não, não contarei atingir um estado de ilusão. Que não me caiba a verdade no peito, que transborda de toda ela… Que não se conheça toda a vida, que se desconheça quem vai compondo… Não procuro a eternidade, sou neste momento vago, inconstante e nada se me apraz como uma verdade absoluta, nada é tudo e tudo é se não uma ilusão de inconstantes e fugazes motivos. E tenho-te gravada, marcada aqui. E não sei da tua inconstância e vou tentando compreender o teu ser… Como te quero aqui e nem sei se alguma vez te terei de qualquer modo. Reduzo-me. Algo me consome o ser, sinto-me doente por motivos desconhecidos e desconheço qualquer cura milagrosa. E quero-te aqui. Por f...

Esta gente…

Mudo para ser inconstantemente constante, rapidamente imutável pela própria definição que me descreve, estranho e indiferente, por toda as coisas que me descrevem segundo um documento que nunca ninguém viu e que jamais alguém se atreveu a ler. Luto contra essa sensação de vazio. Procuro esse bem que me poderia encher, essa recôndita ordem, esse vácuo descontínuo repleto de todas as perguntas que em somas inconstantes vou rementendo para um infinito de existências que em nada se assemelha a esta vida que vou vivendo. Escrevo segundo o que descrevo e reescrevo o que não poderia ser escrito sendo que poderia causar alguma confusão sobre toda a ordem, revolto-me a volta do inventado e deito por terra toda essa ordem, nada disto é mais se não um texto maçudo, nada mais nem menos que um delírio uma probabilidade de fuga um subterfúgio de inglória… Calo-me, prostro-me sereno e ardiloso, escolho faze-lo assim, ninguém entenderá que o faça, mas por necessidade e por carecer de paciência assim o...

Um canto ao teu canto (e revirar de toda a vida)

Deixa-me dormir a um canto do teu leito, colocado a um canto do teu quarto. Pois desse canto te admirarei e te cantarei este triste canto. Quanto mais penso, mais sério será o canto… E quando não haja mais que este simples canto, nada mais sobrará que um pranto. Deixa-me dormir, assim sossegado, bem perto do teu recanto, ao lado do teu olhar. Queria ficar contigo e dizer-te o que penso e tudo para teu espanto. Deixa-me cantar o meu triste pranto, não será nada de assombrar. Será apenas a mesma mensagem de sente quando abro a boca e te canto. Deixa-me assim dormir, perto de ti, nessa ilha calma, em teu canto predilecto, dele não me hei de afastar… E se neste meu canto me engano, enganar-me-ei apenas a mim, a ti não será possível falar… Deixa-me dormir com a tua sombra no meu olhar… Deixa-me dormir com a tua alma e despertar com o teu sorriso, um espanto de maravilhar… Este é o meu canto, que te canto a este canto, perdido do mundo, perto do teu canto, perto de ti, ao canto do teu canto,...
Perdido em pensamentos, desligado de tudo, incrivelmente silencioso, só por escolha, colocado decididamente a um canto, proscrito por decisão estranha, realmente desligado. Ando por aí. Nada de novo, nada de desconhecido, escrevendo coisas que não são senão capas contraditórias de verdades ilusórias. Calmo, sereno, acordado, melancólico, desastradamente adormecido, incógnito mas acima de tudo calmo. Sigo por aí. Não descrevo nada, deixo tudo num termo vago, apago a minha voz, finjo uma expressão, ponho alguma coisa a descoberto, deixo alguém descobrir alguma coisa, dou um pouco, oculto um todo… Olho para a imaginação, gostaria de ver os teus olhos, gostaria de ver a ti, cada parte de ti, cada lugar de ti, gostaria de te ter aqui. Escondo-me por aí. Beijo-te, escondo-me a seguir, abro os olhos, a imaginação engana-me assim. Perco o sentido, deixei-me andar por aí, por esses recantos que tão bem conheço, por esses lugares infimamente escondidos onde só eu sei chegar. Sinto-te aqui e sint...

Escritores

Os escritores são um flagelo. Do piorio são capazes e vivem a vida presos a tumba. Os escritores são criminosos. Vivem a vida a meias, em termos médios ou de enfiada. Os escritores são dementes, inconstantes e sádicos. Deliciam-se nos seus erros e são incapazes de se corrigir. Os escritores são loucos. Não sabem distinguir a vida de um ponto colocado sob uma linha. Os escritores são incapazes. Incapazes de se expressar humanamente. Os escritores são desconhecidos. Perdidos de si mesmos, incógnitos até a tumba. Os escritores são decadentes. Afogados em absinto que jorrada das suas lágrimas. Os escritores são cruéis. Jogam com o que desconhecem, ignoram o que sabem. Os escritores são cretinos. São seres ignóbeis e sem a mais mínima ideia do que fazem. Os escritores são dementes. E quem me manda a mim escrever assim, tão alegremente?

Lua vermelha, Lua negra

O sangue cobre estas ruas. Tal como cobre o teu olhar… Lua Vermelha, tenebrosa… Que ás de ser tu se não a nossa perdição? Esse momento tão distante… Que devemos olvidar… O sangue… O seu cheiro, a sua cor, o seu sabor… Tudo se confunde no ar quente desta noite… E a lua vermelha reflecte-se no teu olhar… Lágrimas vermelhas escorrem pela tua face… Qual preciosos rubis as irei guardar… Dá-me assim a eterna noite, dessa lua tenebrosa… Dá-me assim o precioso sangue, a vida maldita… A lua reflecte-se no teu olhar… És a Deusa de Sangue, Terror e Sedução… Lua Vermelha, Lua Negra… És tu a Lua desta noite… Senhora Vermelha de vestido Negro… Tentação final… E a lua vermelha, reflectida no teu olhar… Foi por ti pintada, doce meretriz de perdição…

Sem rima, medida ou ritmo.

A minha mente, esta fora daqui. A viajar por terras distantes, tão distantes como o teu mundo. Deixei este corpo. Desconheço o seu paradeiro… Que se encontre perdido, destroçado, bem guardado ou enclausurado. Nada disso é mais ou menos que um facto adormecido, tal como esse corpo perdido… Sinto-me a flutuar. Vagueio por esse mar celeste com polvilhados de branco neve, gelados como este coração dormente. E então penso, reflicto e avalio toda a situação… Questiono e indago… Renuncio ou não a esta existência?... Sinto-me doente e dormente, demente e decadente, desligado de tudo existente em absolutamente nada… Vagueio então a deriva, calmamente por essa tempestade perfeita. Confortavelmente em silencio, ociosamente em solidão… Desliguei-me do meu mundo, dediquei-me a errar pelo teu, caminhando ao ritmo das estações, observando os sons da vida. Deixei-me dormir. Enganei o caminho da vida… Deixei-me dormir sem ti… E esse, foi o sono e o sonho final.

Abstracto

“Olá.” Recomeça a frase, deixa-me a meias, dá-me voltas, faz-me rir, tira-me o sentido já que nada mais faz sentido, atira-me com uma almofada, faz-me rir, brinca comigo. “Anda comigo por aí, vamos perder-nos onde tudo é conhecido, onde toda a vida foi passar onde todo o futuro esta morto, onde todo o passado se revolve nos segundos de uma segunda vida onde a mente deambula por campos elísios e onde absolutamente tudo passa invariavelmente por convergir numa teoria sem lógica, sem sentido e sem solução.” Recomeça o pensamento, deixa o ilógico partir com o lógico, nada deve ser mais claro que as coisas que não queres entender, nada deve ser mais imperceptível que o humanamente concebível. “Junta-te a mim, não saias deste sítio sem mim, não saias deste mundo sem me levares contigo, dorme comigo, a noite ainda é jovem e o amanhecer é uma promessa distante.” Não te convenças do possível, convence o impossível de ti, não penses em agir mas não ajas sem pensar. A vida opera-se, as roldanas v...

Surreal.

Desconcerta-me, desgoverna-me, diz-me algo, deixa-me ao relento coberto com um manto de estrelas, deixa a lua ser a minha amante. Deslumbra-me, toca-me os sentidos, deixa-me cego, reduz-me a zero, eleva-me ao um expoente máximo de loucura. Desliga-me. Nada, simplesmente nada, as coisas ditas são tidas como loucuras de uma vida, irracionalidades de um momento, palavras vazias ecos de uma sonoridade inconstante, ruídos residuais, pequenos vírus que se arrastam pelo ar, aos quais todos nós somos invulneráveis mas que ocasionalmente nos deitam abaixo. Fecha os olhos. Esquece essas mentiras. Não me sorrias, esse sol é demasiado amarelo e o mundo já o conhece bem demais. Fecha os olhos. E escuta. Escuta como nada é transmutado em tudo e como tudo é reduzido a nada. Fecha os olhos. Torna-te inconstante para poderes ser constante. Liberta-te, liberta-me, dá-me um ar de liberdade, deixa-me respirar como se nunca o tivesse feito, deixa-me beber a vida por uma palhinha, deixa a vida passar, nada ...

Somente em veemência

Moro fora de mim. Todo um universo delineado em linhas verticais e tudo escrito numa volta horizontal numa tinta que escorre por essas linhas como sangue. Sinto-me cadente, em plena imensidão de agua seguida pelo mergulho e nada se conecta nada se liga ao deslindrar deste movimento. Moro perdido, sempre fora de mim. A realidade que se vai distorcendo, as coisas que se vão cosendo á veloz tecelagem de seres imaginarios e nada recai sobre tudo e tudo se revolta em nada. Sinto-me deprimente, em pleno sonolência em suturação de sentido em romper de moralidades. Moro fora de tudo, omnisciente fora de mim. Prego essa alma ao alto, deixo que a sua sombra assombre a noite, deixo que o seu temor se torne eterno e que tudo se resuma a um murmurio assustador. Sinto-me ausente, desconheço-me em sentido, recaio sobre essa areia, revolve-se esse sangue e nada é tão aparente como a aparência. Gostava de morar perto de ti, ao centro de ti, ao cardeal de algo para ti. Recairia sobre mim essa vontade, r...

Dança comigo

Receita-me um despreocupar generalizado. Como anestesia sentimental. Não quero saber ou sentir. Não quero saber o que pode correr mal. Indica-me um princípio para todos os fins. Um sinal que nada será certo e uma incerteza de que tudo correrá mal. Alarga-me uma vista tacanha. Esta humana parece servir-me mal. Faz-me sentir bem. Dá-me uma resposta concreta que mesmo assim não saberei se me apraz. Afasta-me este medo. Um terror omitido e negado, destituído de sanidade. Desliga-me o dom de me preocupar. Torna-me qual robô, frio, estático, vertical. Diz-me como não viver em verdades meias. Dá-me a mentira completa. Pelo menos essa sei que é real. Não me iludas. Faz essa magia, cega-me os olhos, deixa-me iludido, tanto faz. Desfaz-me a sinceridade. Torna-me desonesto, intriguista, cruel, enfim, malvado e desumano. Ou não faças nada. Mas ama-me. De tudo o resto, seria o mais importante.

Confusão

Escavo-me pelo meio das minhas velhas folhas, lançadas ao vento poisadas pelo chão, sobre a secretária cheias de palavras e letras de ideias e contradições de coisas que vou lendo, revendo, relembrando, repensando e reconsiderando. Sinto-me escravo disso que não conheço, pergunto-me, se existe um fado, se existe uma total impossibilidade de controlarmos o que fazemos e o que acontece. Desconheço e tento não crer, surge me como uma ideia absurda que tudo o que se faça esteja já a partida decidido ou que seja simplesmente cosido por figuras fantásticas escondidas por detrás do véu. Rodopio na cadeira, sinto-me sinceramente sonolento, não sei explicar isto, não sei, não mo peçam. Conforto-me no véu nocturno celeste, nesse pontilhado mil, na eterna amante e musa dos poetas, na sonolência de tudo o que existe numa memória mais calma onde faltou um caderno, uma folha e uma caneta para escrever o que se ia passando. Tempus Fugit. Segue-se esse abandonar dos sentidos, o abraçar do sono, a bene...

Não sei, não perguntes.

Não me faças perguntas para as quais não queres respostas. Pois sou de uma sadicidade imoral e de uma moral ultrajante. Não me coloques questões para as quais já conheces as respostas. Pois tudo o que diga fará feridas que não apagarás. Não procures respostas para aquilo que desconheces. Comigo essas respostas serão algo que não pretendes. Não me perguntes nada. Neste momento sou vazio. Neste momento sou medo. Neste momento sou o desconhecido. Não me perguntes o significado do que não irás compreender. Neste momento desenhar-te-hei mil respostas fatídicas. Neste momento pintarei o quadro de preto e o céu de vermelho. Neste momento ignorarei o teu choro e sorverei as tuas lágrimas. Não queiras respostas. Podes não gostar do que te vou dizer.

Prefácio da maldição

Prefácio da maldição, conhecimento de toda a loucura… Insinuação da incerteza, descontentamento da beleza, sobreposição da pureza, sublimação da manipulação, extrema certeza da estupidez, estranho conhecimento da verdade. A dança maldita de histórias semeadas ao vento, colhidas na tempestade, remoídas, revolvidas, recontadas, reescritas em suma repugnantes… O desaparecimento da verdade, o caminho, não! A vida da mentira, os longos curtos passos da falsidade, os imbróglios de quem engana a falsidade falácia, o horror, o temor, a vergonha da verdade… O vendaval de mudanças, as coisas que se constroem nas dunas das praias, as ondas gigantes que as arrasam… A dança maquiavélica dos momentos, o desconhecimento de todos os tons, as meias palavras, as frases por concluir, os segredos de medo, o terror da unificação… O tomar algo como decidido, as coisas contadas, as palavras que jorram, as mentiras mal contadas… O conhecimento… A conclusão… A negação… A exclusão… A certeza da verdade, a calma...

Vivenda Mortis

Moro numa casa de lágrimas, com paredes forradas de medo… Moro numa casa de mentiras, com janelas de ilusão… Moro numa casa de tristeza, desconcertado lar do coração… Moro numa casa de pesadelos, com paredes de maldição… Moro numa casa de terror, porta a porta com a solidão… Moro numa casa de intrigas, com inquilinos de traição… Moro numa casa vazia… Com que enche-la? Com que mantê-la? Porque morar nela?

Sons e memórias.

Oiço a chuva cair. Cada gota faz por si um som unico. Cada gota cai no seu devido lugar. Cada gota tem a sua melodia. Oiço a chuva cair... Lá fora a noite serena envolveu o mundo no seu manto E todas as formas são alinhadamente desalinhadas em vultos negros com a luz tremule. Oiço a chuva cair... A terra lava-se de si mesma e todo o negrume da noite jaz dormente... E cada gota encontra-se num pequeno lago de ilusões... Oiço a chuva cair... A minha mente e o meu ser descançam embalados em tom batente... O meu subconsciente viaja, vagueia pelos sons correntes... Oiço a chuva cair... Dou por mim em viagem pelo inconsciente consciente... Deparo-me abraçado a uma memória dormente... Oiço a chuva cair... Em sonhos inconsciente, abro os olhos e a ti te vejo... Abraço-te perto mas suavemente... Acordo. Tudo se desvance... Oiço a chuva cair... Ela dita a nossa valsa... E é tudo tão indiferente.

Esquecido do esquecimento....

Invade-me um total desalento.Recôndito desanimo e total desprezo destas horas passadas... Escondo-me ou deveria esconder-me por entre lençóis e edredões E no entanto encontro-me dormentemente acordado Encontro-me em total cansaço, desespero de injusta causa... Debato-me comigo mesmo no esquecimento do meu cansaço... E ainda assim, é tudo dúbio, inútil e exasperante... Nada realmente se compõem por uma regra fidedigna e nada se manifesta em ordem pura... Não me escondo, mas desejava esconder-me... Mas a regra muda e nada certo é mais que uma ilusão aparente... Invade-me um total desalento, um total desprezo e um total cansaço... Consome-me esta fadiga e esta falta de vida... Aspiro ao repouso, aspiro ao refugio da alcova... Deixem-me dormir... Que ao dormir... Pelo menos a vida não é tão irreal...

Demónio das horas vagas

Revolto-me, desta desconfiança geral, deste mal estar gerado de mim mesmo desta falta completa de afazeres, desta completa passagem de tempo, desta calma perpetua, desde ócio descomunal, destas coisas que se vão passando e de todas as coisas que me vão escapando… Odeio este ócio, estas horas vagas, estes tempos sem fazer nada, estes desperdícios sucedidos de vida estas horas mortas… Percorre-me a mente o demónio das horas vagas… Esse consumir de tempo, este seguimento de eventos que me deixam perplexo e estupefacto a vislumbrar tudo o que passa, todo este tédio que me enche e todo este rápido passar de tempo desperdiçado e sim, reforço esta ideia, desperdiçado sem que possa fazer nada para o recuperar… Persegue-me o Demónio das horas vagas… Ser ingrato, não me deixa repousar, revolve a minha mente, deixa-me frenético, de pensamentos constantes, de pensamentos irregulares, de pensamentos dispersos, de pensamentos dolorosos, de pensamentos irracionais, de dor, de saudade, de medo, de inc...