sexta-feira, dezembro 05, 2014

Consciente

Sobreviver a uma fobia, é o resultado de uma análise profunda.
Parece não só que nos temos que tornar adeptos, mas também mestres, seres semi absolutos de tudo e qualquer coisa.
Então esquece a fobia, na realidade é perdida, não é que o medo não esteja presente, mas realmente, estamos senão a sobreviver.
Quem me conhece, sei que odeia isto em mim.
Na verdade é a catch phrase mais simples e é em si uma contradição, será pior que vive ou quem sobrevive?
Na medida de quem vive, passa por cada coisa ou será isso quem sobrevive?
É em extremos uma dualidade ou talvez seja apenas a minha perspetiva que é um tanto ao quanto dúbia.
Então por gestos nos medimos, por atitudes que vamos tomando.
Vamos ditando assim um caminho estranho de tomar, creio.
Daqui até ao fim, quem sabe.
As vezes ainda se pensa, nem sempre da melhor forma e se um pensamento passar por ter tétrico, na verdade e seriamente, quem se considera senão invencível?
Creio que não.
Se a confusão é um domínio, serei então um mestre.
Podemos partir.
Podemos seguir então um caminho, ir distribuindo um pouco de nós, um abraço ou um comprimento mas na verdade nunca nos extinguimos em sentimentos.
Vivemos de um momento, oblíquos na verdade, cruzados a jusante, somos assim, indubitavelmente e intrinsecamente imperfeitos.
Mas partimos, sempre a decidir pelo caminho o destino, alguns já sabem para onde querem ir, outros vão apalpando caminho.
Vamos perecendo em divida de vida e mesmo assim caminhando.
Não obrar, não trata de facto um sentido, ou por outra, trata nada, se na verdade o tratamos como um sentimento, creio então cruzar por nada, mil caminhos travados, pessoas mantidas, sentimentos de desdém, caras a muito perdidas, ora por mim, por ti ou por ninguém…
Cruzei-me várias vezes pelo caminho e cumprimentei-me a verdade é que sou cruzado comigo mesmo e muitas vezes sem sentido.
Mas agradeço assim a minha perdição, ser desorientado é uma arte e mesmo desorientado, mantenho-me em sentido.
Sobreviver, deixa de ser uma fobia.
Sobreviver, passa a ser uma teoria.
Viver é…
Não sei porque vou de facto vivendo a vida, reconhecendo cada momento e sempre em sentido de tombar.
A verdade é essa, se os tens, ergue com eles, bebe, come, festeja.
Agora, o que tens, essa parte, já não é de meu julgar.
Tão só, na verdade, talvez nem isso, deixo-me assim, a procrastinar o sentido nem sei, se de facto vai ser entendido, e na verdade, que se lixe.
Se for para apontar algo, terei que me apontar a mim, na verdade, poderei apontar-te a ti e sabes que, como sempre, estou aqui e se te posso dizer algo, abandonado por abandonado, na verdade o sentimento é ao abandono.
Acho que compreenderás.
E então viver ou sobreviver?
Enche o peito.
Solta uma gargalhada.
Se me encontrares, a resposta é esperada.

sexta-feira, novembro 21, 2014

Maus resultados e a vida matutina

Quando a seta te aponta para a saída, será talvez hora de tomar asas e voar?
Quanto mais te sentes apegado, mais despegado estas, se na verdade estas a descolar e mesmo assim em sincero ornamento, te deixas levar, ri-te, esta coisa há de te mudar.
Na verdade, pretendia dizer outra coisa, considerem-me pudico, pelo menos em palavras, conheçam-me, mais brejeiro que um estivador, mais agitado que um bêbado, mais maluco que…
Deixo esta parte a vosso critério.
Na verdade, vão bastantes anos e revendo também hoje, um pouco do que já foi e penso nisso, como uma realidade um pouco mutável, na verdade o que foi fica e o que passou, está assim registrado.
Adiante, costumam dizer que a pena é curta, ou pelo menos penso que o seja, já nem a carga da caneta pode dar para tanta coisa e ainda assim, insisto.
É um pouco trágico, ainda que na verdade algo cómico e até mordaz.
Sabes e nem me dirijo para alguém específico, a verdade é que nada é como realmente aparece escrito, sempre que o possas distorcer, a verdade é que não é realmente directo, ainda que distorcido e neste ponto, nem eu posso explicar muito concretamente, acho que vai da forma e do meio ainda que costumem dizer que para bom entendedor…
E é assim que nos fazemos ou que nos queremos fazer.
Eu não aspiro na verdade a um fim, vou construindo pontes, sempre assim, caminhando e tentando, se bem que sempre fui assim e se isso posso considerar, bem-sucedido dentro de uma perspectiva.
Se bem me conheço, nem quero dizer muito e sem dizer muito ergo castelos e esta é a parte cómica, na verdade a trágica é mais difícil.
Dizem que a verdade é sempre mais difícil, sempre a via mais recta, coisa e consistência, exactamente o complicado, sobre a complicação.
Raios.
Absolutamente mas tenho absoluta diferença, que indirectamente, o que quero dizer, não posso dizer por descoordenação motoro-sensório-mental.
E é absolutamente uma treta.
O meio é o caminho e o caminho é sinceramente uma pilha de indiferença.
Aí!
Pois, é cómico.
Mais cómico é poder falar, poder bradar, zurzir, agitar meio mundo, fazer peito, crescer, quando na verdade, no momento que devemos realmente falar, somos tremendamente pequenos, insignificantes, perante dado medo e covardia.
E sabes que mais?
Raios partam as manhãs.
Deixam-me com pensamentos estranhos e num preâmbulo de maus resultados.

quarta-feira, novembro 12, 2014

Terminus

O término é uma partida.
Do momento em que quebramos com algo, seja por que motivo for, de imediato começamos com algo novo, não se pode romper com esta regra, significa que evoluímos enquanto humanos, nem que seja na nossa própria pessoa.
Nisso, somos obstinados até a medula.
Pergunto, nisto como sentimos, a mudança, se confrontamos meio mundo ou se vamos avançando e esquecendo.
Olho as vezes, vejo rostos que deveria apagar, vejo faces que deveria olvidar.
Mas perder de memória, não é uma coisa que eu saiba fazer com facilidade, até porque algumas coisas ficam guardadas, demasiado resguardadas.
Mas o término é uma partida e enquanto fechamos uma ferida, estamos logo susceptíveis a abrir uma nova, nisso somos sadistas, masoquistas e completamente suicidas.
Compreendo talvez esta necessidade de nos magoarmos, significa que aspiramos a crescer, com cada experiencia, cada rasgo, cada alegria e cada traço.
Se recordo directamente, sei em quem me lembro, passo por três, colocadas em décimo terceiro, passando para o vigésimo, sem aspirar demasiado, ser único.
E lembro-me perfeitamente do significado que alguém pode ter, da intimidade que podemos padecer e de como tudo pode então volver a cinza, como tudo pode desaparecer.
Sempre hei-de recordar a primazia, como foi num ano, perseguição e perseverança, sei lá, loucura juvenil.
Recordar tudo, é uma memória deslavada, não vamos assim falar.
Do passado ao presente ao futuro que podemos ainda não falar, não sabemos em que mão tomamos assento, nem em que perna caminhamos desorientados.
Partimos assim para onde?
Sinceramente, abraçamos o que podemos, beijamos com tudo, sentimos com intensidade, tontos levados, sei que sim, sinceramente falados.
Mas quando esperamos nada, temos tudo e quando queremos tudo navegamos em marasmo.
Então julgo que não preciso de melhor descrição, deixo tudo assim.
Se leres, se te encontrares nestas palavras, saberás que são para ti, está aqui a mensagem.
Escrita por um claustrofóbico, as três da manhã, num qualquer quarto.

quarta-feira, novembro 05, 2014

Palavras de ontem

Iludidos, brincamos com a ilusão, criamos nas suas costas, poemas, obras de solidão.
Entre esgar aberto, sorriso quebrado na escuridão, vivemos assim, na profundidade de simulação.
Obriga o corpo, teor de loucura, sempre rodeado por amargura, cruel em nenhum sentido, obrigado a conjectura, imoral, segue assim por perfeita, segura.
Supõe, não é assim, dado a mão, que se segue em teu respeito?
As coisas que vamos tremendo, não são apenas o que tememos.
Ora por hora, criados em soltura, sentidos ocultos, se é que vale a pena ocultar, certo, por discernimento, criado mordomo, capitão de valsa rasa, sabe que navegar é a cruel loucura, senta-se assim, em muralhas altas, comandante derreado, ostracizado, perdido em batalha?
Nunca direi que fui eu, não sei, nem nunca soube como o fazer, se me permitem o engenho, o gesto desconhece, horror de nada, não há, não existe.
Para a confusão, parto, louco e assim, agradeço a escrita, oriente de mim, não por rosa volante.
Senhoras curvam-se perante generais cruéis, desde romanos a helénicos.
Os significados são convulsos e delusos.
Que quer então sentir a alma?
Risco atrás de risco, linha trás linha, sentido visceral, venal, próximo da pele.
Porque reclamam então sem nunca sentirem, sem nunca pensarem, em que momento se encontra a folha, perante a caneta, perante a tinta, perante o interlocutor…
Rasga.
Só se exprime em mediocridade.

terça-feira, novembro 04, 2014

Senão

O critério, é um sedimento da razão, sempre desconhecemos os meios como nos movemos, de facto, somos toldados, talvez velados, sempre amarrados ao síndrome de negação.
E porque fazemos o que fazemos?
Acontece-me de facto, a razão falha-me, não me traz palavras absolutas ou realidade relativa, abraça-se sim, à ilusão.
Acho-me apenas demasiado cansado, para se por motivo algum, apresentar qualquer tipo de motivação.
Concentro-me no que sei, consulto velha amiga e vou levando as coisas, sem rumo mas com mão.
Se perdoam um decapitado, porque não hão-de perdoar, cruel derrotado e déspota humilhado?
Foco a razão, para que?
A resposta ilude, não se tome com a certeza, mais significado que a beleza, pois que a vê muitas vezes é cego certo e que mais interessa senão?
Sabe-se mais sem medir palavras, pedir um gesto, que não se espere nada, quem souber pois remexe, agita-se inconstante, raio de sentido jusante, canto oeste, direito de poente, predilecto sentimento e perdido por orientação; adiante.
E quem sabe realmente medir, desmedida é a loucura e os loucos que a tomam crivados de ternura mal sabem medir a tontura, a delicada ternura, expressão solta, grito primal, honesto e rarefeito, tombo mandado se nunca pedir suporte, mas sempre a esperar uma mão.
Acontece, memória feita, uma abraço tido, qualquer tipo de contacto, não sei bem porque tido ou perdido, próximo ou remoto, somos assim, senão perdidos, idiotas tomados e crianças movidas…
Órgão infinito, não só teu coração.
Então lousa, prende ardente sentido, liberta em claustro profundo sem saber porque nem senão, raio tomado em não só infinito, sente-me aflito, perdido em emoção, sem me medir, demito, estupido sem mito, gigante abismal, burro, mais que admitido, truão.
Não chega para ser tonante, faz tudo por decisão.
Apresa ardente pena, que se apaga sem emoção, torna-se cinza, passado, lagrimas carpidas, sonho perdido sem conclusão.
Ardem então os pesadelos, os terrores de noites vagas, só perante o vazio, nado nu, vestindo matéria obscura, berço de escória, sangue e tripas, refúgio último e soturno.
Mas daí a mentira, por vezes mascará que forçamos no mundo, tacanheza de existir, ser pequeno em alma grande, contida e desmedida…
Nunca poder dizer, nem falar…
Quem me manda gritar ou bramir?
Se sentido, me deito a prantear, ser só único e perdido.
Aceitar uma ilusão é uma medida de um momento e correr, sentir o vento, voar sobre o mundo é senão o meu senão.
E um senão deixo ao tempo, que falha ao contentamento, alheio a tudo, cortado pulmão.
Casa do momento, criei em ti outorgado esgotamento e tão só peço um abraço, senão de ti, refiro pedaço, pendurado em coração.
Aceita, neste truão embaraço, cada figura, face ou retrato, sem que te possa falar, hei-de algum dia cumprir, sei que o faço por embaraço, mas é assim o disfarce.
Cruel a medida?
Senão…

segunda-feira, novembro 03, 2014

As estações passam, recomeças como folhas caducas, pisadas pelo vento.
As pessoas, nem as passam, viradas pelo avesso, não há uma clara visão.
Então vem a mudança, não por decisão mas obrigada pelo tempo.
Como fazer então, tomada a decisão, que as coisas avancem e simplesmente se deixem prosseguir.
Virado do avesso, sem condição de segredo, não há, senão um recomeço.
Vira a folha, as arvores tem que florir.
Se por estação, se sentir o recomeço, nem sabes bem, como medir, um sentido todo do avesso e o arremesso do que há para vir.
Eu, por explicar as coisas, não sei como seguir, as decisões não tomadas, não se fazem reflectir, então por momentos cerrados, que decisões flectir?
Aquilo que te dizem, pese ao vento, sem rebordo ou tormento, sem muito que dizer, pintas de tintas soltas, que mais nos fazem decidir?
Eu, por mim, sem explicação, preferia dizer tudo e ver tudo ruir, seria mais simples, directo, não sei se me faço sentir.
Olho a volta, a ignorância é um temor, não conhecemos jamais o alento, nem sequer o seu fervor.
E então, vivemos pelas palavras que não dizemos, os segredos que vamos partilhando, palmilhado está o caminho, por essas folhas caducas e cheias.
Se olhares, serão milhares de palavras, escritas de um só momento, se olhares, serão razões para tormentos, desorientação e consternamento.
Então deixa-me a expressão, serei rápido mas jamais directo, porque em tudo o que faço, falta-me o ânimo, o tempo e o momento.
Então vejo resguardado, nestas palavras o segredo.
Em sentido obliquou, directamente inconsistente.
Será então que deveria deixar mais?
Não existe uma decisão, não tenho um caminho marcado.
Carrego peito aberto, há muito já não tapado.
Entenda-se o desdenhado, fé lhe falta, decisão tomada.
E sem revelar, se permanece velado e dada a trama, não está já revelado?

segunda-feira, outubro 27, 2014

Vaiar O Ar

Discute o plano, o que me apetece fazer.
Oportunidades perdidas, sem que as pudesse ter.
Como pestanejar, perde-se, ao passar e uma vez perdida, não sei como a retomar.
Que fazem de magia, momentos que tem o seu tempo, se não são sucedidos, vaiam em desconcerto.
A mim, agrada-me a parte em que tudo flui de nada mas daí, sempre fui dado ao irregular.
Distante de sóbrio conhecimento, algumas coisas gostava de mudar, porque de futuro, dado o evento, o mais certo será escapar.
E se por algo, um olhar se cruzar, vou desviar o mundo, estragado está tudo, sem nunca existir.
Reviso então as opções, falta-me esta inteligência.
Se é pragmático em prática, perdoem-me o silogismo insistente, o desconhecimento e desconcertante.
Ou então vou falar, qual louco perdido e por falar, falhar, acabar qual tunante, vadio e ébrio.
Esta razão ao desalento.
E sem saber que pensar, voa ao sabre, pena pluma, escreve em fuga solida.
Todos os poetas, homens de letras almejam algo assim.
Tão só por musas perfeitas e quem sabe…
Enfim!
Talvez recolha, talvez por ser fim.
Por ora, arte conhece papel em teu jeito, mão e sorriso.
Cruel, a necessidade e fugaz o momento…
Saber desenhar serve aos cegos, falar aos surdos e mais importante…
Aos surdos, as palavras certas…

sábado, outubro 25, 2014

Sensível é a natureza de ser, por mim, nem um sentimento mexeria e assim, fecho com um caminho outro, um livro se fecha sem que se negue um capítulo, seja ele como for, foi pausado, não por consequência, mas sim por feitio.
Feito.
Toca-se vivamente, não por si, sabes bem que não, nem o sei dizer.
Fala.
Sem que me digas nada, falas mais que um mundo e pela estupidez separados e realmente olho sem ver.
Corre.
Vivo, qual quiróptero, entre as sombras da noite, persigo a imensidão, temido sem ser conhecido, olhado, por desdém ostracizado?
Sente.
É essa a paranoia, não se pode medir o falar de outra forma e separamos assim, aquilo que somos, do que poderemos ser e partimos do que fomos, somos medidos assim, ilógicos, irracionais, sentimentais, triviais, estúpidos.
Grita.
Tanto em tudo, somos os arquitectos, engenheiros audazes, filósofos irracionais, demagogos psicólogos, psiquiatras opiáceos.
Dança.
Mede tudo como se nada fosse medido e com essa medida, volta atrás, vê a oportunidade que te foi negada, nem por ti, nem por outrem, mas por quem te rodeia, vê isso, é um odio e tristeza.
Para.
Escuta, sei que podes escutar, não o sei de outra maneira, não o digo, sou estupidamente parvo e falo, falo, falo sem dizer e movo sem saber, sem sentido, sem orientação.
Desculpa.
Não te sei ser mais sincero. Fechei um livro, livrei-me dele. Parti o aos ventos, queimei o que dele sobrava.
Vive.
Se te vir, abraço-te, se me permitires um abraço, saberás porque.

quinta-feira, maio 29, 2014

Capítulo Quinto - Da vitória a derrota – Tudo o que me lembra de ti

Eu escrevo, não o faço por mim, este capítulo, poderá ser curto e doce ou comprido e cruelmente amargo, não sei nisso definir correctamente tudo o que possa dizer.
Hoje, passa demasiado tempo, em medida ou em distância, considera como quiseres, escrevo assim, de uma forma talvez um pouco mais pessoal pois é sinceramente para ti.
Ao leres, como leias, entende o que devas entender, acho que nunca o escondi ou ocultei e são estas mesmas palavras que fazem de mim, como sou, um ser estranho e singular.
Se me perguntares o que sinto, o que sou, o que almejo ou tudo o que aspiro, nunca to irei dizer, são factos que aceito e são coisas que não escondo, precisas apenas de as preguntas certas, saber fazer.
Então este, como digo, introduzo e descaradamente hei-de te fazer chegar, é o teu capítulo, o teu som, a tua dança ou pelo menos a minha visão de ti.
E falo de ti pelas minhas palavras, trata simplesmente mais um pouco de mim por ti, nos traços que eu faço e nas coisas que eu mexo, não será entendido nada mais que eu não explique e se for assim, por linha sim linha não, talvez haja algo mais e se o entenderes pois, perfeito, se não, igualmente adequado.
Não esperes que faça mais do que é, não sei fazer isso, não o pensei mais e se te sou sincero acho que o senti demasiado.
Agora sim, será um pouco de segredos, não teus, mas meus para ti e serão talvez assim directos, ou como os quiseres entender, enfim.
Por fim, por traço de trejeito, trago-te assim a minha abertura, cada rumo que deito, é riso para mim, loucura.
Canta, dança, bebe por mim.
Trago-te em mim, ternura, tatuada por angústia, se há-de ser para ti, será o meu capítulo de loucura e não esqueças assim…
Este é o teu capítulo, traços largos, a minha amargura.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Scribe amoris et choris daemonia

Que podes escrever? Se nem sabes o que sentes? Se não sabes o quanto mentes? Se não sabes o que causas, se não sabes nada e mesmo assim tentas escrever?
Então escreve, não esperes realidade ou gentileza, não a esperam loucos, não a esperam desiludidos, não a terás, não sabes o que te espera, não o conheces.
Escreve, porque ao escrever, libertas esse demónio, libertas-te de ti mesmo e de ti mesma, escreve sem sentido, não interessa muito, as palavras são tuas os sentimentos terão que ser teus.
Liberta esses demónios, deixa-os brincar, brinda-me com loucura, sei que esperas insensatez, não conheces os sentidos, não conheces o porque mas ainda assim procuras, uns demónios que possam brincar com os teus.
Assim, dá-me uma razão para os demónios que conheço de mim, serem os que conheces de ti, explica essa alquimia erótica, explica esse sentimento, os demónios que dançam contigo, ficam bem a roda de mim, não existe então a razão? Se eu te explico, porque tens medos e temores?
Não o destróis, não o consegues, nunca o conseguiste, simplesmente dá me um sorriso, uma razão, não me trates como um amigo, não compreendes essa razão? Não te explico nada, não desenho nem escrevo.
Escreve, fala, grita, aspira a explicar, dá-me um motivo, dá-me um conhecimento, não falhes em expiar, não falhes em divulgar.
Sorri, sabes porque o fazes? Sabes por quem te segue, por quem te valha, por quem o é? Oculto esta e essa tua razão será que a compreendes? Eu não.
A origem do original, a razão do descobrimento?
Sinceramente, dei-me demasiado, sem razão ou fundo, não o compreenderás talvez, o homem demasiado bom, o homem demasiado honesto?
Escreve! É tudo uma piada, um cruel chiste.
Irrita, arranha-me a pele e por dor não grito mas por ira. Que compreendam o homem que chora, não por dor mas por cólera, o seu signo é de infâmia, as suas escolhas são grãos de areia e as suas mãos coadores.
Escreve, o tempo urge, sabes que o tens que fazer, escreve, escreve, ESCREVE!
E no fim, quando achares que tens obra, que tens tema, que tens forma, que tens uma ridícula noção do que é brilhante, perfeito e absoluto, rasga tudo!
Desperdiça todo o conhecimento.
Manda tudo ao ar, não vale mesmo a pena.
Escreve, como quem ama, escreve como quem ouso amar, escreve para quem amas, escreve por amor e por fim, faz como tudo o que amas, destrói e não deixes que nada se aproxime.
Tão só escreve, nada mais, nada menos.
Não existe logica, não existe sentido, nada nos aproxima e então porque dançam tão bem estes demónios?