terça-feira, dezembro 05, 2017

Exonerado

A vida da à sua volta no som da espera enquanto se volta e revolta, espero a minha vez que retorta, na sala de gabinete cínico.

O estear que postula qual hora mal volvida, triste tortura imposta ao gabinete de saúde mínima.

De veia em veia, gotas cancerígenas, qual estrutura mal tida, neste tear de medicina vil.

Parte me a cabeça o diurno deambular, na procura de cura alheia, cheiro de éter no ar.

Sinto vontade a fuga, qual experiência que me há-de matar, faz de cárcere vivida, experiência que me há-de tomar.

Ostracizado de saúde, preferiria a apatia, sempre seria para me levar, desta podre melancolia.

Explico de novo a mim mesmo, neste diário de ousadia, suplanto a aparente alegria neste meu canto de fumos e porcaria.

Chamo por fim o meu cacilheiro, qualquer barco que me há-de levar, passando o rio Stix nem o barqueiro me quer transportar.

Desperto, contemplo o que me dá alegria, uma pessoa que me enche de alegria, mais me compreende que eu mesmo a mim.

Uma pessoa que me enche de sensação, boa e profunda, indescritível.

Uma pessoa que me tem o coração ao peito, que nem sei bem como tratar.

Espero então neste gabinete, rasga a hora de me levar, sinto uma certa letargia.

Quem me dera escapar

domingo, dezembro 03, 2017

Retalhos de conversa

Por entre as sombras e o silêncio, provas do que me apetece fazer.
Silêncio que tomo pela segurança do quotidiano e de toda a estrutura conhecida, silêncio que é, enfim, inimigo de tudo o que possa considerar como certo.
Mas vai e vem essa vontade de querer abanar esses alicerces e de querer fazer e construir de novo, por entre o pó que se haveria de assentar.
Por entre o que se destrói, existe sem dúvida uma nova criação, com um certo desdém de passar, ou de ver o tempo desaparecer, sempre que nos movemos pelas entrelinhas.
Apraz-me assim, sem me fazer uma sincera honestidade, ao movimento que possuo.
Mas confunde-me no olhar, pensar em que pode ou não ser, sem conhecer de como poderá decorrer e isso é um precipício que me parece sem fundo.
Passo o pé.
Tento sentir um fundo que não consigo ver e é amargo e doce, sem saber o porque desse dissabor.
E é que não sei, não sei como me explicar sobre, como me aproximar e falar contigo.
Então vem o requisito de existência.
Aproximo-me e fecho-me contigo.
Deita-te comigo, quero ouvir o som da tua voz, poder sentir o teu respirar perto e pelo anoitecer, perder-me em sonhos contigo.
Deixa-te estar encostada, deixa o mundo passar lá fora, como as estações que mudam, deixa o tempo ser a cada muda do seu momento um eterno discernimento e deixa a vida passar, pouco mais interessa.
Olha-me nos olhos, deixa-me ver o que te vai dentro, sem passar desapercebida, pelos meus te quero fitar, sem ter meio para medir e mediar cada sentido, sempre que possa expirar, respira esse movimento, mas deixa-te ficar.
Sossega aqui comigo, quero ver-te, sentir e tocar-te pode ser uma explicação que possa dar, talvez o encarar do elemento que nos afasta sem que realmente saibamos como nos aproximar, em cada volver, voltar a nada?
Deixa-me falar, é quase um horror o que tenho para explicar é acima de tudo o meu discernimento, uma palavra que tenho por falar, uma letra que devo deixar marcada, uma explicação talvez?
Calo-me ao sabor da noite, lembrando-me de tempos passados.
Esperaria uma resposta, pelo momento, deixo-me ficar vagalume, estático na escuridão.
Fecho-me de novo em mim.