sexta-feira, janeiro 13, 2017

Cenas e cortes de um diário

Um mistério de idade, sereno é como se faz, sem sentido ou conhecimento, assim se apraz.
Sempre é um movimento, um movimento corrido, tido pelo conhecimento.
Não é amar.
Não o foi, ou se o foi, já não se conhece, nem o podemos interpretar como tal.
Silencio.
A descrição do absoluto que vou rodeando e como o vou mostrando, sem saber, sem conhecer, sem poder minimamente perceber.
É a maneira como te vou concebendo, dentro da minha imaginação, sem saber se a imaginação pode ou não realmente passar disso.
É um projecto, é uma protecção, negação daquilo que pode ser, a maneira de aproximação, é um costume, enfim…
Rápido.
Como posso encontrar ou exprimir aquilo que posso sentir.
É um coração vazio, é o sentimento que trago no peito, não existe como o preencher.
Descrição que possa fazer, mais objectiva que esta, não posso expressar é esse um pesar daquilo que posso dizer?
Talvez.
Ponho em causa, a sabedoria do que posso dizer, apetece-me sempre divagar, sempre partir, ficar é uma opção mas sem motivos para me ligar, para me prender, sem motivos para olhar, suspirar ou aceitar.
O conceito?
Esse é tão abstracto…
Nem posso dizer, nem posso afirmar, exponho-me ao pleonasmo…
Será que me serve sequer a expressão?
É um navegar, um correr, voar, exagerar, não poder olhar sem desejar, é por fim um querer, um querer sem fim mas não existe um amar.
Amor?
Não é uma expressão, não é uma frase que seja dita, não é um acontecimento que vá por eu em causa, não é algo que te vá dar de mão, não é uma coisa que possa afirmar ter ou saber quem tenha por mim.
É uma não existência, uma negação em si mesmo, é não, não e não.
Vazio.
Não é por exprimir que posso saber do que falo, vai do id ao âmago, sem espaço para muito mais que fronteiras, rios e/ou ribeiras…
É essa a expressão?
É esse o sentimento?
Simplesmente negação, ilusão crescente…
Desligo-me.
Já me cortaram a nascente.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Cordéis

É estranho como sou desastrado, como tenho uma orientação para fazer no momento certo, tudo o que poderia fazer de errado.
É estranho, ter tamanha pontaria, de fazer por meia medida, um copo cheio de porcaria.
Venho ler as marcas, que me contradizem com pontaria, na verdade, não é bem um nexo, não saber o que dizer é uma harmonia.
Faço jus ao desenho, não demonstro sabedoria, saber falar, escrever ou cantar, passa assim por estranho efeito, sombra, movimento e coreografia.
Sempre sobre esse conceito, de movimento pendular, como nos arrastamos do regaço a nascente, sem saber bem para onde voltar.
Volta e meia, regresso ao meu presente, sem esquecer o meu passado, gostaria de viver no meu futuro, certamente, desastrado.
Com pontaria o diria, com certa mestria tiraria um sorriso.
E de tirana vontade, por volta e meia em meia volta, concentrar-me ia.
É estranho, não obstante o conceito, dizer por meia mentira, uma verdade completa e completamente não conseguir dizer o que deveria ser dito.
É um sentimento de claustrofobia.
Observo esse andamento, olho para uma mão vazia.
Estranho como os fantoches se mexem, cai por meia mão, passa a bonifrate, conhece já os movimentos de quem o guia, sem ser guiado, replica o movimento.
Tomo por meia medida o conceito, títere ganhou vida? Não creio plausível explicação mas a realidade assim é tida.
E com certeza, se afina o movimento, não necessita de comando, segue por si como considera, desrespeito para quem o vê?
Atado em cordéis uma vida inteira, não há borde, palavra meia, não por desrespeito mas alento à liberdade, levar em si vida inteira, sabedoria é majestade.