Natalis
Os teus olhos, invisíveis ou será saudade minha de os ver?
Nem sei porque penso nisso, são coisas impossíveis que não posso entender.
É a velha teia de causalidade, em que o pensamento que tenho, decorre inteiramente de vivências e o passado, sobrevive apenas nessas lembranças.
Será sempre assim?
Será uma memória de apego?
Controlar o passado é tão efectivo como querer contornar o passado.
Será por mero acaso?
Mais um latir do coração.
Há coisas que devem ser escondidas.
Há coisas que se apresentam como visíveis.
Há todo um sentimento, reconheces alguma destas palavras?
Nem sei se ainda perdes tempo em mim.
É sempre neste momento, que tento num alento, recordar cada momento, cada memória apagada…
Então olho para as figuras agora desfiguradas.
E nesse retrato que temos, esse retrato juntos, as memórias para mim nunca podem ser apagadas.
E nesse retrato que perdemos, esse retrato em que nos separamos, somos uma história retratada.
Atropelo-me no reconhecer, essa cara que tão bem reconheço, que vista na multidão iria sempre encontrar.
Atraco ao porto da multidão, nua, será esse o segredo desta emoção.
Guardei as palavras faladas, escritas, pintadas, rasgadas, queimadas, levadas pelo tempo e perdidas ao silêncio.
Será que ainda as conheces?
Será que ainda te lembras?
Será que se te lembrares ainda reconheces?
Toda a pergunta que se reconstitui em si mesma, não se responde nem reconhece a resposta.
Deveria dar por perdido?
Novamente, a causalidade do passado e a inconclusiva do pretexto, será que foi por sentimento?
Será que realmente foi feito o contracto e que esse acto, afasta toda a multidão, para um novo palco, alheio e fechado, em que não posso entrar.
Será que também eu sou memória?
Será que também eu existo de alguma forma?
É quase absurdo.
É certamente obtuso.
É claramente, uma visão dos teus olhos invisíveis.
Do pesar do teu olhar.
Do calor que trazia.
Da emoção que foi vivida, uma só vez, talvez para sempre esquecida.
Uma única visão.
Perdida?
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