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Quando o dragão abraça a lua

O dragão tentou voa, almejava morder a lua. Rasgou o ar, sempre a voar pela lua. O dragão decidiu rosnar, soltar um grande ruido, passar por entre as labaredas do luar, aproximar-se da lua. Ao chegar de perto, começou a perder-se nela. O dragão ao voar, almejava morder de perto a lua. Ao voar, sentia o céu a lamentar, que animal sedento e cruel, se aproximava da bela lua… Ao voar, sentiu o céu a trovejar, a índole de proteger o luar, de proteger a bela lua. O dragão ao voar, continuava a subir pelo céu, almejava morder a lua, tomar o seu sangue e banhar-se no seu resplendor. O dragão ao voar, aproximou-se da lua, teve a no seu olhar e sentiu animo reforçado, de subir com o luar, de se aproximar da sua lua, se reter a respiração enquanto cortava a estratosfera. O dragão ao luar, passava qual sombra negra, sempre a almejar, sempre a voar profundo, pelo resplendor de ter ideias, pela vertente desmedida, aproximava-se ao luar, com a ideia de morder a lua. O dragão ao dobrar, a curvatura d...

Do incerto à incerteza

À noites, sonhei contigo e todo o meu mundo se desfez em mim. À noites, senti-me calado, sem que nada me demovesse do meu canto, sem que a vida mais de mim se aproximasse sem que o momento de me mover me mantivesse deverás acordado, sem que uma resposta me pudesse demover de sentimento, sem que uma resposta me faltasse por total inglória. À noites, sonhei de ti, um sonho que levo então carregado por loucura, no mundo que se me desfaz pela frente, sem que à ilusão me seja; tomado por demente, uma resposta fidedigna. À noites… À noites perdi-me e permiti-me sonhar, ter-te na minha mente, somente poder levar avante nesse pedante pensamento, um desejo de ser feliz. À noites, foste ilusão, foste semente, foste então, velada da madrugada, por onde se esconde a mente, uma incerteza fugaz e fulcral, um furto desejo de insanidade, que se a verdade me apraz, nem sei como tomar. À noites, despertei de madrugada, por entre os sonhos de uma velada, uma aragem que se me assomava, sem saber o que pr...

Se

Se o pensamento vai a uma milha ao minuto, parte de mim, parte-se com o passar do tempo. Se o passar do tempo, é medido por um passador, sem que a arreia seja perdida, pelo esgar da visão, reúno ao meu olhar, sem viva alma que me faça passar, sem um momento, para meu olhar, uma sensação… Se me posso esquivar, se posso sair, poderei passar por aí, almejo com isso poder partir um pouco de mim, parece que ando demasiado escondido e demasiado catatónico. Se a catatonia me permitir, se me deixar um momento de calma, não me permito morto ou taciturno, posso simplesmente agarrar e partir, sei que tenho fraternos que partirão comigo, que poderão rumar por aí, sempre que haja um castelo para nos esperar. Se a partida me deixar, faço-me ao caminho, seja como for, almejo essa parte, passa demasiado tempo em que passo quieto, passa demasiado tempo em que o caminho não passa, em que os rostos ficam estagnados e cada vez mais adulterados. Se a vontade se faz, pode ser que se suceda por aí um evento...

Se escutares

Comprei-te um presente, para me esquecer de ti. Enterrei-o no meio do rio, para me afogar de ti. Caminhei pela terra, quando a terra se fez em mar, o mar em oceano e cada maré que se vazava levava-me a mim, cada vez mais longe de ti. Contemplei o vazio, enquanto o vazio olhou para mim, na abertura do céu, a lua se fez em si, senhora da noite, na dança da manhã, beijou o sol e trouxe o dia, só para se ver livre de si. Pelo quarto, que cheira a sândalo, o som vazio do seu caminhar, sem que as cortinas se mexam, o vento corre, pelas aragens calmas da manhã. Sente-se o tempo e ressente-se a história contada, mil vezes, mais que mil vezes traçada, pela calada vedada, sem que o contratempo me permita expressão, sempre dirigido a ti, sei que a face, é velada. Então, se ouvires baixinho, vais ouvir o rio passar, vais ver pela rua calejada a estrada que te leva aquele lugar, ao lugar onde nos encontramos e nos perdemos uma única vez, entre as passagens de um idioma, não sei a tradução para ti....

Furtuito

Como me sinto, fora de mim? Não sei. Olha para o passado, como velho o meu tempo, passar de si, em mim, como olho para tudo, o velho passado de mim, sem que a verdade, seja posta no momento que me passa. Sinto que se por um momento, me delongo na escrita, caio para a minha realidade, um momento em quem e escondo da minha realidade, em que vou calejando um futuro incerto, em que concedo, sem condenar a minha verdade, em que sinto que pedir, a minha irrealidade. Então. No recosto do meu sentimento, como escondo o meu lamentar, se a ti te vejo sem mim, não reconheço o meu esgar, perdido a um canto de irrealidade, não sei… Creio que acreditei no nosso credo, sempre, sem saber a quem almejar, creio que me perdi. Correspondo. Sei que sempre correspondi. Sei que te beijei e me deixas-te. Fortuito é este sentimento que me assola. Creio na estupidez que me consola, pela vertente que me deixa solitário, vou vendo um passo pelo passado, como te olho, tão longe de mim, sem que a verten...

Corvos e composições

Salas duplas pelas duplas alas, voam por fim, centro de nada, revolto, enquanto estremeço a árdua nóia de existir. Parece uma subscrição que não foi feita, o subscrito ficou vazio, na condição de ser indicado, devolvendo ao remetente vazio, com uma impressão de se delongar. Padece desse feitio, sempre que pode, sempre que se deixa de fora, sempre que tem um entrave que ousa pousar, por ora, sempre que a atenção se me faça, que me falhe um descontinuo, por certo, por visto e distinguido, a bom porto se pode fazer vale, pois já sabe como navegar, pela velada do desalento. Falha-me a expressão, se bem o digo, pois é com pés de chumbo que me sinto a cair a folha solta, sempre em surdina que falha, pois se há-de falhar o desígnio, não seja por mão de quem se pós de fora, sempre chamado, aclamado ao vivo, sempre que a multidão se mostra. Mas escapa do vivo, prefere passar pelas ruelas, longe dos olhos, pelas vielas, escapa recôndito, quase vai pelas capelas, longe dos olhos despidos, despid...

Ego

Eu fora de mim, dentro daquilo que posso exprimir como uma consequência de existir, a veracidade que posso transmitir, o sentimento que escrito, cai que nem folhas deixadas a tempestade. Eu fora de mim, eu, exprimido em existir, em ser, em rever, eu a afastar-me cada vez mais a deriva forçada por existência, niilismo que enfrento pela consequência, sem que a escrita, sem força de ser, possa libertar a expressão. Eu, dentro da consequência que possa abraçar, sou escravo liberto de mim mesmo, na minha real ilusão de existência, um non sequitur, eu sei, mas na verdade, a mais pura elevação do ser, da real experiência, do abandono e do desapego. Eu, cada vez mais crescente, com a decisão de ser, com o passo, com a promessa de existir, com a incontornável veracidade da minha sonolência, desperto em demência, sempre visível, mas tantas vezes escondido. Eu, que repudio agora essa excelência, que afasto tanto mais de mim, toda e qualquer loucura, servo de sapiência, com expresso intento de re...

Coisas terríveis

Pedaços de mim, que vou escorrendo pela parede, parece ser o desafio mais recorrente, conforme me dá por ser, por me fazer ou existir, como se assim me aparece a vontade, assim me projecto de novo a parede. Expressões de exaustão, ao sentido, a verdade, a voz que incessantemente grita, a vontade de carregar, para fora de mim o que trago, não é subjacente a minha tendência de crescer, não é adjacente a minha expressão, não sei bem. Conforme vou falando, vou-me perdendo, de pertença de realidade, como se faz assim a minha expressão, nem sei, nem recordo, mas como vou eu fazer, para poder falar, sem que possa contar, sem que possa libertar as coisas que trago em mim. E é assim que se consome o que devo dizer, mais um pedaço cancerígeno, mais uma purga dentro de mim, mais uma pequena dormência que se me assola na alma. Vou pedindo, de dentro de mim, a minha voz que ignoro, por preferência de existência, por proximidade que desejo manter, sem que saiba realmente como me interpretar a mim m...

Tanto

Tão mau que seja sozinha, a vontade de voar que me nivela à horizonte de um sonho singular. Tão simples que seja a verdade, de um abraço que possa ter, sempre que em viva saudade tão só me posso ter. Tão verdadeiro que passe o tempo como é ordinário falar, de entre portas para fora, sempre que alguém se vire, alguém há-de julgar. Tão simples que haja tudo, na verdade é nada. O objecto taciturno que vê e cala mude o vulgar gesto de mudar. Tão pequeno e rápido é o tempo, que nos deixa próximos assim como a eternidade que nos separa quando apenas passa um segundo longe de ti. Tão inquietante o texto que se faz passar, nas mãos de quem não se vem, de quem se aproxima a distante. Tão obscuro o silêncio que deixo passar, a voz alta à que te grito incessantemente e parece muda por falar. Tão incoerente aquilo que digo, pois certamente da minha mente para fora, talvez não deva passar. Tão perfeito, tão obtusamente feito e desfeito, entre gotas de água se faz esquivar, sem vista do que é ver e...

Sonho que vai e vem

Hoje não me deitei. Não me veio o sono. Procurei por ele por dentro de mim, abrindo todas as portas entre abertas. Sem que em nenhuma tivesse a sorte de o encontrar. Em todas elas, não obstante, fui encontrando pedaços de ti. Continuei a abrir portas, parecia uma corrente a passar, qual mar adentro me queria puxar, cada vez mais se enchia a cabeça desse teu ar. Hoje não dormi. Não sei se sei o que é dormir, apenas me arrasto na cama, rodando de lado a lado, tentando saber um sítio para aninhar mas é tudo alienígena. Continuei a procurar então neste sítio inóspito disposição para me julgar, um sítio por onde pernoitar e sem me dar conta, estava já um pouco mais fora do meu lar. Hoje não me encontrei. Por mais que procurasse, por mais que indagasse por aí, parecia não fugir de uma sombra. Sem me aperceber olhei, uma sombra de ti. Fez-se-me branca a tez. Hoje perdi o meu norte. Sem um rumo, lá continuo eu perdido e taciturno. Silencioso e indigesto, relevado a insignificância e ao mais s...

À memória

Acendo memórias, qual cigarros queimados, pedaços de papel que vou largando ao fogo. Passa-me ao lado, sei me certeza perdido, sei que a estrada a tomar é sempre em frente, haja ou não curvas pelo caminho mas a minha paragem, mais que certa parece ter-se perdido e cada passar do pneus arrasta apenas a saudade. Libera-me de este tempo, a incerteza que me vai deixando atado, consoante vou velando a vontade, sempre que possa explicar a minha mente, na verdade, cada vez que tento mais me perco nela, construo apenas a minha ansiedade. Como me revejo em mim? Já pouco sei, desde que me perdi, sem me achar, vou viajando por aí, na constante incerteza de esperar talvez encontrar, num sítio talvez abandonado em mim, um pouco mais de ti, que espero tão só conseguir compreender. Mas falha-me o olhar, falta-me a intuição, falta-me compreender ou perceber toda a sinalética, sigo em frente, falho mais uma parada, forçado, lá paro em mim, para insistir um pouco mais sobre o que parece conduzir a...

Exonerado

A vida da à sua volta no som da espera enquanto se volta e revolta, espero a minha vez que retorta, na sala de gabinete cínico. O estear que postula qual hora mal volvida, triste tortura imposta ao gabinete de saúde mínima. De veia em veia, gotas cancerígenas, qual estrutura mal tida, neste tear de medicina vil. Parte me a cabeça o diurno deambular, na procura de cura alheia, cheiro de éter no ar. Sinto vontade a fuga, qual experiência que me há-de matar, faz de cárcere vivida, experiência que me há-de tomar. Ostracizado de saúde, preferiria a apatia, sempre seria para me levar, desta podre melancolia. Explico de novo a mim mesmo, neste diário de ousadia, suplanto a aparente alegria neste meu canto de fumos e porcaria. Chamo por fim o meu cacilheiro, qualquer barco que me há-de levar, passando o rio Stix nem o barqueiro me quer transportar. Desperto, contemplo o que me dá alegria, uma pessoa que me enche de alegria, mais me compreende que eu mesmo a mim. Uma pessoa que me enche de sen...

Retalhos de conversa

Por entre as sombras e o silêncio, provas do que me apetece fazer. Silêncio que tomo pela segurança do quotidiano e de toda a estrutura conhecida, silêncio que é, enfim, inimigo de tudo o que possa considerar como certo. Mas vai e vem essa vontade de querer abanar esses alicerces e de querer fazer e construir de novo, por entre o pó que se haveria de assentar. Por entre o que se destrói, existe sem dúvida uma nova criação, com um certo desdém de passar, ou de ver o tempo desaparecer, sempre que nos movemos pelas entrelinhas. Apraz-me assim, sem me fazer uma sincera honestidade, ao movimento que possuo. Mas confunde-me no olhar, pensar em que pode ou não ser, sem conhecer de como poderá decorrer e isso é um precipício que me parece sem fundo. Passo o pé. Tento sentir um fundo que não consigo ver e é amargo e doce, sem saber o porque desse dissabor. E é que não sei, não sei como me explicar sobre, como me aproximar e falar contigo. Então vem o requisito de existência. Aproximo-me e fech...

Húbris

Medicamento, para esta maleita, falso tendão de sentimento. Raspar constante na pele, irritação do momento, traço latente e crescente. Vertente de extremo à extremo, ciclo vicioso, certo e incerto, mas correctamente, incorrecto, que a toda a vertente, conhecimento ou inteligência. Medicamento é pedido, para esse mal que me afecta, literalmente fora e cadencia em circular, observação de sistema, orientação lunar, abraço tido em segredo, passagens a meias, solta volta ao luar. Correio que foi perdido, encontrado puro acaso, em revolta do que vamos sentido, contestação e comiseração tomada… Obvio pelo olhar, as coisas escondidas, meias perdidas, a verdade que não sei. Neste momento vazio… Desenhar dentro das linhas torna-se uma tendência cadente, não desviar o rumo face ao desafio e simplesmente dançar ao som do bombo. E como destoa o seu som, por entre as lacunas e as nascentes, como se sente por corredores desprovidos de vida e lavados para sempre, pelas lagrimas de quem não se soube s...

Passo, fuga e volta

Senta em silêncio, pela verdadeira palavra que há-de sair. Sentada, de braços cruzada, altiva, assim se pode considerar. Espera por um movimento, uma coligação sem nexo que possa seguir, no seu rastro, como um rastilho ardido, jazem aqueles que se atreveram e só se queimaram. Então arde, como deve arder, como sempre ardeu, sempre de seu fogo dona, sem se espalhar por mais que um momento, dentro de si traz esse sentimento, de se por em altura de torre altiva. Recolhe a luz e olha para o seu passado, contempla a decisão tomada, sem calcular mais que necessário, um certo e tomado passado, sempre em frente, essa é a ordem de progresso. Descruza as pernas, brinca um pouco, aproxima-se, com movimentos suaves em nada forçados, sempre com um ar sereno na face, com cada movimento feito, assim seduz. Solta o cabelo, corre os dedos e solta-se toda ela, nem o faz por mal, não existe qualquer sensação disso, simplesmente é aquele olhar e aquele movimento, aquela expressão de se querer soltar toda ...

Meia dúzia de palavras e uma procura

Vem pela noite dentro e procura-me pela madrugada, aconchegado ao teu corpo, perto do teu desassossego e de toda a tua máscara. Procura, pelo significado da tua máscara, de uma proximidade que possas ter, em silêncio, olha para ontem, tenta a minha explicação ou espera por ela, se me for permitido, dentro do abstracto, poder falar e entender a dois, o que nos vai na velada. Aproximo-me, da mesma maneira que me afastas, sem complexo de senhoria, apenas uma necessidade que bem compreendo de permanecer una em ti. Abro a janela e voo, não conheço então um trejeito ou uma maneira, se ficar, devo ficar, se partir, parece ser errado e como fiz, filo dentro de mim, com certa incerteza e com complexo desnorte, sem ter certa certeza, sem ter pé ante mão com absoluta perda de sentido e sem saber sequer em que pé me apoiar. Não tomo por mão, estrutura ou o conhecimento, não sei erguer, nem erigir, tomo apenas por parte, o certo desconcerto de viver, como sempre vivo, experiência nova mas não quer...

Questions and arithmetic tracking fields

The art of saving grace, the sound so soothing of blinds shut. The hours, described in numbers, dropping by like changing flies. The numerals, so insuring with themselves, arguing on the times to come, the savage steps of becoming madness and all the lies to be tell. I speak not of the things that I could think but of the oblivious nature, the transcending degree of abstract that plagues the unwashed eye. For it is, above all, the constant state of change, the cutting of the culling and the changes of one’s mind… I speak of what it is to hale, and to speak of all the dead languages, to scream in unison, to declare what should be altered and what should, by force, set in stone. Standing, taking the stage and declaring this to be but folly… Searching, in search of an unkept seclusion, when we all but tried to run away, cringing at the verge of deceit, asking, screaming in anger to be free and to reach said state. Drawing near, that sense of self, never to be held by the nerve of one’s e...

Mistério e uma Lua Azul

Esse teu nada, tão cheio de tudo, particularidade de quem move aventais, por entre os vendavais da vida. Certo sentido, em sincronismo de vida, olhar para dentro, sem realmente contar o que vai dentro, existir, por entre a negação de ser ou saber, apenas expressar, sem passar sentimento. Esse teu tudo, que é assim, vago sentimento, que mexes com as mãos, segurando no vazio, um pouco de um coração partido, enquanto apressas a coração, fazendo um repasto, em que a sobremesa é a loucura e todos os pratos, são guiados ao tento de tua mão, na verdade, deixas-te meio mundo louco, sem mexer um único menestrel. Esse movimento tão estático, essa sensação de conceber palavras por entre as pálpebras fechadas de quem tece um argumento, sinistro sem sentido, na verdade se escreve por linha vazia, em carmesim, dores de coração e palavras para amor solto. E não escrevo, a esse teu silêncio, esse teu nada, esse teu frustrante fechar de olhos e de coração, esse erguer de muralhas, que parecem paredes ...

Deixar cair quem está a cair

Como acontece, em separado, por vezes em conjugação do que vai acontecendo, sempre em exclamação de perseguição, nesta imprecisa precisão em como vamos moldando o nosso dia-a-dia. Acontece um pouco, como vou olhando, sentido em passagem, um olhar, se é que me percebes, tão só ficar a olhar, sem trocar uma palavra, acaba por não ser um exercício, se não um movimento tedioso e indefinido. Clamar passa a ser uma solução e de facto, acalmar os sentidos, acaba por explicar a expiação sentida. Contraponto, como deixar partir ao entardecer a razão, esperar por ver, por ter por perto aquilo que procuramos, por erguer uma ponte que nos aproxime, um elemento que nos leve a ser um pouco mais conexos. Não existe paixão, existe uma necessidade de aproximação, sim, de travar conhecimento e de erguer um porto, entre duas cidades, entre dois mundos distintos, de saber o que pode ser trocado, o que pode ser transmitido, o que pode ser definido ou não… Enfim, poupa-me um pouco a existência, não sei como...

Ups nem começa a explicar

Os acidentes vão acontecendo. Quase sem reparar, deixamos o mundo cair, os pratos partem e ficamos com um conjunto quase indecifrável de cacos na mão. É uma luta, creio, constante? Talvez. Na verdadeira expressão da palavra, devo dizer que é sempre mau. Fazer de força palavra, deitar para fora e esperar um alento, sem saber se o que dizemos vai cair ou não em pratos rasos ou poços sem fundo. Nisso, a verdadeira coragem é falar e ser escutado, sem mais pressão que essa, falar e dizer o que se tem que dizer e daí esperar que as coisas sejam certas. Ou não. Os acidentes vão, indubitavelmente, acontecendo. Cresce nesta razão, que falar é o acto que deixa tudo em cacos. Falar e ser escutado, é sempre uma coisa plena de direito, que devemos ter e quem esteja a nossa volta nos deva conceder, dentro do nosso círculo presente. Creio que nisto, sou também um pouco pessoa a cair em palavras perdidas, porque na verdade, falho também no que devia fazer e em atender ao que está presente. Os acident...