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Dualidade

Não me apetece. Na verdade, não me apetece mesmo nada. Poder passar para uma página, tudo o que poderia dizer, é por vezes bem mais simples que falar directamente e dizer tudo, tal qual o deveria fazer. Ainda assim, o propósito disto, é efectivamente reter o que de outra maneira nunca poderia dizer. A caneta voa mais facilmente que as palavras e na caneta, não há júri, pode qualquer um ler o que for escrito e só poderá sentir-se afectado, quem de si mesmo, não tiver uma consciência tranquila. Na verdade, não me apetece falar. Sei que é um facto, sou como sou, direito, torto, directo, certeiro, incorrecto, rude, um total manancial de defeitos, um número de virtudes, um reflexo de um projecto inacabado, em constante evolução, mudança e reconstrução. Risco ante risco, construção danada, desenho mal sucedido, obra mal tida, obra condenada. Abraço e ilusão. Não sei, de facto não sei mesmo, não me apetece mesmo nada, não tenho um desígnio ou uma emoção que me valha. Que é amor ou amar? Falh...

25 horas e meia

Captura a demência, um espaço que me divide e separa, por irrealidade de existir. Estou num clima de consternação em que um momento não é conexo, vejo com certa desilusão que o tempo não é o real inimigo, se não que somos senão, inimigos por nossa própria mão, cancelados ao exponencial da ignorância vestimos sempre a mesma camisa, para tão só a ver roupa e mal vestida, por quem a devia acima de tudo honrar. Estou desconexo. Cansado e insatisfeito. Por certo, veja-se o prémio de quem foi vencido, numa corrida certamente arranjada, para que o vencedor perca e o perdedor se encha de louro, fama e glória. É nisto um sentimento um pouco incomum? Vamos vivendo, vivenciando e aproximando os campos que nos separam, as vidas desligadas e as corjas que se vão soltando, entre o deslaçar da vida, aceitamos pela via da circunstância, que somos certamente imperfeitos. Será certo o desfecho? Consideramos coisa nenhuma como certo mas toda e qualquer victória é um legado, um termo certo e é concentrado...

Voos e altas alturas

Porta aberta, estrada fechada, mil caminhos a fazer. Confiar de fé cerrada, em quem estende uma mão, em quem te dá um abraço. Manter um caminho, pé ante pé, seguir em frente, mostrar força sempre e coragem, trata-se de bravata, expressão mais terna de busca de segurança, quando na verdade, se é bastante segura por si só. Expressão de pintura, um olhar sereno sobre o que se traça, risco antes de rabisco, uma cunha que se deixa marcada, na expressão que se traça em desenho a livre mão. Porta fechada, estrada aberta, o estarrecer de confiança… Talvez não. Pé ante pé, pelo caminho percorrido, corre estrada fora, já não faz parte do caminho, descola e voa, não é ser que se possa prender, se confrontar é um acto, tal feito é uma ilusão, deixa-se assente em letras vagas, o gesto que faz, sem erguer mão. Olha para o que tem diante, atenta ao momento tido, corrige uma expressão de admiração, pelo escudo que trás consigo. Pouco baixou desse escudo, sem que de si desse um passo, foi construindo,...

Eagna

A arte de perseguir, reclama quem quer ser perseguido, sem na verdade obter um alvo. A arte de falar, projecta ampla sombra sobre a mente e escrever torna-se um desafio, toldado pelo que temos muitas vezes que manifestar. A arte de dizer, de passar por palavra, de ser o reconhecimento, não, de dar a reconhecer ou explicar existência, na fuga de quem persegue um pensamento, partilha de vontade, nem sempre incerta. A arte, de ocultar, de calar o que vamos trazendo a peito, por um desconhecido tomado, parte-se o peito e as palavras são soltas. A arte de dizer, de relevar, sei lá, de exprimir? A arte de revelar, de reduzir e desprezar, de rejeitar tudo e qualquer valor, a mais validação, a menor passagem, o preconceito que sentimos, a indiscrição, a inscrição profunda… A arte de por ventura saber o que dizer, é sem dúvida a que mais me escapa, a de falar no momento que quero, de ser certo na palavra que devo dizer, arte que escapa por momento…

Enquanto Chove Lá Fora

Suave e calmo, o passar das horas, em que o discernimento é tapado, em descuido a emoção, em que o sonho é um momento, em que nos perdemos, pouco a pouco, no esgar das frestas que deixam passar um pouco de luz em noite clara. Calmo, o silêncio que se faz sentir, nesse conforto de horas em claro, que passadas em emoção, reflectem mil pinturas imaginárias, levadas pela imaginação corrida, num movimento do desenho, em que o pincel nem quis saber de cor ou traço, forma directa ou expressão. Enrolar no calor do cobertor, deixar passar a noite em claro, nem saber se é verdade ou ilusão, simplesmente ter olhos semi-cerrados ver mais que uma visão. Embalado no repouso do leito, sem ter um destino mal feito, tão só repousar nesse colchão. Descrito de que forma se ponha, cria-se uma imagem de calma, horas tidas em descanso, celebrado sonho perdido, nem perdido se possa dizer, voar como se pode, sem ter fé em saber voar, acordar na sensação de cair, simplesmente, saber sonhar. Enquanto espero po...

Papilio

Como vai a minha necessidade de falar, longe do que as minhas palavras conseguem transmitir Como vai a minha necessidade de te dizer, longe daquilo que posso revelar, todas as coisas que poderia eventualmente ter para contar. Como vai, este pensamento que carrego, nisto que me causa um convalescência, necessidade absoluta de dormir mas acima de tudo, necessidade absoluta de te poder dizer tudo e mais alguma coisa. Como vai a minha defesa, necessidade que tenho de erguer muralhas, de responder de forma confortável, de estar a defensiva, de dizer aquilo que parece lógico, fácil e simples. Como vai esta cabeça tonta, que não é capaz de exprimir um simples dizer, não, não é capaz de se expor certamente, por medo a cair. Como vai, nessa incerteza, o que posso dizer, sem que seja tomado como uma decisão incerta, um extremo que posso expor, uma contemplação ou um contentamento? Como vai, dentro do que posso expor, o que posso falar, dirigir, a quem deva ser dirigido, o direito de decisão, um...
Preciso um remédio para a vontade de existir, não para a perder mas sim para a fomentar. Preciso de um alento, para a vontade de sentir, não para não sentir mas para revelar. Preciso de um pouco de expressão, para explicar a negação, o silencio súbito e as palavras malditas. Preciso de um alento e coração, para vontade que faça, perseguir as palavras, dar um pouco de aso e ar, vento de perseguição. Preciso de te dizer a verdade, que nem sei como a dizer, na verdade sei como a falar, não é uma questão de não saber as palavras, não é uma questão de não as querer proferir, é sim uma questão de desorganização, falha terrena, fraca complexão. Preciso de uma mão que se estenda, não para segurar na queda, não para guiar o rumo, não para mostrar um maneira mas para acompanhar, loucura e brincadeira. Preciso de um amplo aceitar, nisso, não me sei guiar, nisso, não reconheço existência, não só por meio de paciência, resto por boa decência, mão atada, cunha certa. Preciso de um sinal, saber como ...

Aparições [28/03/2007]

São cinco e meia da manhã, belas horas para não variar. Bem acho que esta foi uma daquelas introduções que precisavam de ser trabalhadas, pouco importa. Serei breve, creio que não preciso dizer muito até porque não sei se realmente irás ler isto ou se simplesmente decidiras apagar a mensagem, não é relevante, é apenas algo que tinha que fazer para poder libertar um pouco do que me vai cá dentro. Acabei o meu curso, neste momento estou de férias e sinceramente, dizerem que o trabalho ou o que fazemos não faz parte da nossa componente humana é simplesmente ridículo. Durante todo este tempo, tempo de curso e tempo em que tens estado desaparecida, simplesmente tenho tido trabalho, estudo, ocupação com as aulas, ocupação em ultimo lugar com o estágio que foi tanto cansativo como fonte de aprendizagem e todo esse fermentar de sentimentos aquando de receber a nota final e finalmente pensar que tinha acabado aquilo, coisas sem dúvida vulgares, sem importância. Poderás perguntar até porque dig...

Fantasmas [29/08/2006]

Em ti, adormeci esta noite, num abraço teu contemplei um mundo que me deixou siderado, da tua existência quis fazer um mundo, do teu ser quis fazer parte, contigo sonho e tua falta sinto… Por um pouco, uns meros minutos, tive-te nos meus braços, não sei se poderás compreender como isso abala um mundo triste e solitário. Olhei-te nos olhos, olhei-te na alma de realce, vi te ali escondida de ti mesma com medo um pouco de mim ou talvez do que possa despoletar em ti, não compreendi… Quero exprimir tudo o que queiras saber, quero exprimir tudo o que te quero explicar, quero desenhar-te um mundo que não sei desenhar, quero pintar-te uma tela que não sei preencher, quero conquistar-te mas não sei bem como o fazer… Pediria um deserto e nele tatuaria uma floresta com o teu nome, cavalgaria na glória do tempo e espaço para te trazer algo que nunca pude encontrar… Dir-te-ia todas as palavras que me ficaram dormentes na mente no momento em que te vi… Acredito, não entendo, mas acredito, que nada ...

Rotura e sinapse

Noções abstractas, de realidade e sociedade, em que o grafismo, se gera pelo serialismo, colusivo e renhido, proximidade tida e moldada, face ao sério, devidamente trajada, em noite de gala, apresentada, ora por mim, jamais tocada. Despertar carente, de sonhos ferventes, de corridas geradas, mal apostas amealhadas, concertação e consternação, por orientação? Quem o sabe! Renhido é o orientador, que se leva para à frente, sem burro, se puxa uma carroça, enquanto quem puxa, sente a espalda dorida. Puxar ao demão, conforme é o conformista, saciado, varrido e nu, sedado pela multidão em que a ideia de ser único, se deixou por uniforme, sádico deve ser o sentimento, quando deixamos de ser nós, para passar a ser como a gente, expressar um pensamento, passou a precisar de carta-branca, branda é a mão que a guia, quando a gente em si mente, passar palavra, crime frio. Rir alto. Rir a pulmão solto, sentir-se o bobo da corte, sem ter grande rei de barriga, ser podre de carteira mas sentir na...

Som de ondas e marés

Do recado tido, o sentimento, o amor que poderia ter tido, passou a ser uma desdita ilusão, em sua suma ilusão não creio que possa realmente abarcar o sentimento. Reclamo. Considero isto, sei que é estranho, enfrento esta realidade e é outro segmento de mim, mais uma face, uma camada que demonstro, negada nessa avida realidade, em relação a tudo, ver a vida passar e sentir o organismo abrandar, recuar para um termo, um momento, uma realidade passada, volte face, o passado ficou passado e a realidade assentou-se como se poderia assentar. Releio. Oriento, conforme posso os meus passos, nisso, sou mestre experiente, na realidade de tracejar o que possa traçar, não tenho jeito para seguir passos, nem os que ficam gravados na areia, prefiro gravar os meus. Revejo. Imagino o cenário, na verdade nisto também sou experto. Sei imaginar um cenário, sei ver as diferentes probabilidades, passar os diversos campos postular os possíveis resultados, compreender cada segmento e premissa. Como posso o...

Silêncio, bossa nova e blues

Inquietude, no silêncio da noite, nem um rato se mexe mas há demasiado ruído. As paredes estão vazias, com excepção de um quadro vazio, riscado a branco e coberto de azul. Alegoria de descanso, ritmo pausado, os sons que correm, são coerções rectilíneas, elementos herdados em que o movimento temperado, representa a visita e a hora da noite, arrasta-se pela premissa, divindade maligna e recompensa benigna. A escovas arrastam-se arranham o brasão, o cobre do material refundido, escondido pela escuridão, deixado a um canto a banda toca e a vocalista consome sofregamente os elementos de aproximação. Remar noite fora, a recheio de copo vazio, leme perdido e perfeitamente dirigido, enquanto se encosta aos lábios, o terno abraço do bagaço, vinho tinto, caras transversais. O ritmo acalma, soa agora a balada, o som é singelo, a maneira como o corpo se mexe, pede sincera medida, no baile se fica, aproximação afastada, rente e lenta mexe-se com vida. A inquietude permanece nervosa, o nervosismo ...

Conforme a vontade, teatro de sombras e ambiguidade

Oração à coragem, que nunca nos faltem forças para puxar. Caminhamos em uníssono, semblante erguido, comandantes de um exército de   mortos vivos, vestidos em fatos e gravatas, seres cinzentos em que a manhã passa pela bagageira, linguagem algo brejeira para esta particularidade. Exercito de subida íngreme, face ao horizonte, enrodilhados ou de rodilhas, face ao cume, caminhando mão com mão. Que não me falte a coragem, que não me falte a vontade, pois desconheço como o fazer, sem fazer de âmago cárcere, subjugação de vontade ao ego esguio, recusa eterna, proclamação graduada denegada. Recusa por desconhecimento. Que não me falhe a coragem, a vontade seria um recurso, mas séria é a visagem, discernimento necessário. Creia-se então a necessidade e o esforço, reconforto de quem faz e convicção para quem vê, sobre tudo quem lá se sabe, império ditatorial, rege eterno. Comissão à passagem, viagem por aprendizagem, experiência expedida e recursos pedidos, não se aceita um trabalho ...

Caímos em Inverno.

Génese de dúvida e dilúvio, capicua terna, conceito concretamente desonesto. Caímos pela brisa que nos tolda, esquivos como o tempo, radiados por solidão, sentidos neutros. Caímos mas não ficámos, sempre dispostos a mais, orientados por proclamação, rendidos jamais, atirados pelo mundo, celebramos, como animais, a presença perfeita do desconhecido. Anedota. Críamos por conceitos divisos, habituação a toalha, sem conhecimento tido, celebramos a separação, lembrando que no passado, éramos amargos, fomos com o tempo passado, deixado inertes, obtusos e sem expressão. Caímos sem nos levantar? Seguimos com o nosso mundo, o desenho foi por fazer, fomos olhando em volta, volte-face tivemos que fazer, da separação ao infinito, apreciamos o ínfimo apresentável oração desconexa, a nenhuma entidade profana ou sagrada, não sentimos essa necessidade, a aceitação ficou a porta, particularmente rejeitada. Vivência de ilusão. Aparte do sarcasmo, criva-se a criatividade... E no amargo, sem sentimento, ...

Atitude e aptitude

Abre a porta, deixa entrar o ar, o ser está estilhaçado, o tempo é passado entre viagens e partidas, no doce cruzar do teu olhar. Puxa a manta, não quero acordar, nas caricias da tua mão, presença de teu rosto e madeixa na almofada, sentimento de uma hora, duas ou ponteiros caídos, não me deixes sem ti, puxa a manta, vem-te deitar. Desenha ao meu compasso, não peças que me mexa por ti, a oportunidade foi ida, agora sou eu que me movo, se queres acompanha-me a corrida terminou e ficas-te para trás. Deixa-me ver o horror no teu rostro, enquanto ficas-te admirada, deixei o meu passado no teu corpo, não se entenda profano intento mas o passado ficou enterrado em ti. Afaga-me a alma, deixa-me o ego, não por disputa, não por despotismo, têm-me por pragmatismo, ciclo vicioso e ostensivo, de como esperavas o volver e retornar, não existe mais tal sentido, por ele te deixas-te amar. Então considera a vida, real e profana, não compreendes adoração, se esperas segunda ou terceira volta, esp...

Complexo e David e Golias

Complexos caminhos, ligações desconexas. Sinceridade a molhos, reticencias tidas, livres-vontades e caminhos a sós, olhos que se escondem, encobertos pela tempestade, no vento que se arrasta, abre assas a saudade. Olha, das cartas que te escrevi, esta foi feita por metade, nem te é dirigida de facto, expressa apenas ambiguidade. Aspirar a algo, sempre foi um sentido desligado, acho que assim se foi passando na verdade, entre saudade e vazio sentido e agora por realidade, nem sentimento sei expressar. Envolto em loucura, poder-se-á afirmar, correcto? Desconheço. Na verdade, estou meio acordado, meio adormecido, completamente desprovido de melhor julgamento ou melhor realidade. Alguém poderia dizer que ando a conceber um plano para nada, nem eu me sei desviar de este sentido, não o posso ocultar. Será então o reiniciar? Não, neste momento, não a muito alvo para acertar, sem que possa eventualmente cair em desvio de atenção, creio que pode ser tomada a decisão, mar e mar, voltad...

Azuis metálicos

Do acordar ao amanhecer, pés virados para o leito, horas de insensatez, vida tida com o seu proveito. O calor de um abraço, seja de Inverno ou Verão, tão forte é o seu traço, largo coração. E vamos com o tom, na verdade é nessa andança, de azul celeste à azul marinho, na linha difusa do horizonte amanhecer e perder do dia. Nobre então a vontade, o sorriso que trás por sinal, em boca rasgada ilusão terno retorno, traz ao coração. Evoluímos com o tempo, aprendemos um pouco com a solidão, sentimos a proximidade de nada mas deixamos a abertura, conforme se enche e ganha formato, sensação enorme de ternura. Olhos a lés, na verdade a horizonte, se somos puxados em frente, sentimos na pele o vento da cavalgata. Hora por hora, as paredes estreitam-se, em linhas e cadeados que ganham asas, na verdade, aprendemos a voar, escapamos da gaiola, voámos por cima do ninho, em direcção escolhida, rebelde é o espírito que nos leva mas só nosso o sentido. Ganhamos pelo azul da liberdade, um tom metálico...

Viagens em tom de sépia

Bússola solta, sentado em pé, todas as sensações do mundo, em terreno incerto. Sente-se no ar, o quente que se aperta, o desejo de terra incerta, tirar roupa ter areia, o sal no ar, a água que beija. Viagens que tocam ao incerto, deixado ao acaso, determinada a hora de partida, receita invejável, contorno indeterminado. Não existe lágrima, na realidade é tudo calmo. Escrever torna-se um desporto, hábito inusual, deixado ao acaso, como é tudo ao acaso. Vem com o preencher dos tempos, em que é tudo contractual, viver para trabalhar e nem sempre saber como aproveitar. Ou aproveitar, tornou-se um luxo. Reverte-se aos tons de sépia, no seu formato usual, deixado do avesso, um sorriso que vamos tendo, por palavras ditas sinceras as vontades, quem tem que se abrace, que se beije ou se ame. Hoje nem sinto a vontade, o sono deixa-me escrever de olhos fechados e enquanto os olhos se fecham, o peito abra e o tempo que passe vai tudo em letras cheias. Eu não o direi, na verdade não há um tempo já...

Adoração e o ermita

Diz-me a verdade, assina ao tempo descontado, quando na verdade, se nos perdemos juntos, atestamos à saudade. Diz-me com sentido, gira a perspectiva, não escondes do objectivo a realidade sentida, não condenamos a objectiva toda a verdade ou a falácia tida. Conta-me, de verdade, não espero que haja outra investida, na cruel razão que possa ter, desdenhado é assim, na realidade, prefiro a verdade, diz-me então com que sentido, se há-de fazer tento a vida. Revela-me o que posso compreender, o que não compreendo é a vida como vai passando, na realidade, oriento-me pelo meu jusante, rostro e semblante, o meu rumo é a tunante, sem contra-balanço, nem metrónomo que me guie; faz o desenho, chavão e nota. Nota então, ar consternado que me vai no rosto, não por desconhecimento de verdade mas por falta da sua confirmação. Diz-me essa verdade, não esperes que me caia tudo em cima pois que está por baixo não tem tecto, abobada ou catedral, vive entalado e enlutado. Orienta-me, não sei se será por...

Silêncio e o segredo

Tenho esse segredo guardado, de palavras que te podem ruir, sentimentos lesados e toda a força que te faça sorrir. Tenho um segredo tramado, não sei como o sentir, na verdade é um segredo partilhado, se bem que de parte esquecido, por muito que seja tomado, pode ser sempre largado, segredo eterno em nada revelado. Tenho uma mentira comigo, que carrego em tormento, carga morta que trago ao peito, senti nessa carga um alento e nela me mantenho, esqueleto presente, peso morto que arrasto, verdade oculta, segredo maldito. Tenho uma volta, no segredo que se revolta, torno e meio do novelo, revolta e revolve, volta ao sítio e faz o meio ponto, sentir verdade em segredo, mentira em demência, consumo de alma e luz perdida. Tenho-o agarrado ao cérebro, que faz ferida na alma, trespassa e corroí, órgão malvado, cancro de ser, demência que me cria, sociedade reflectida. Tenho assim, segredo, não sei se o conto nem por nada, na verdade é assim, velado e descoberto, facilmente tido é certo, sorris...