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Caminho

Sai de noite, ao abrigo do vazio da hora, cabelos que esvoaçam, monta um cavalo de ferro. Adorna em si, memórias de viagens, símbolos de histórias, recordações passadas, alinhadas sem ordem consequente, sentidas todas elas, presas e gravadas a ferros. Percorre a corda solta distancia já vivida e com o percorrido, uma sensação de paz lhe cresce na alma. Canta em si, uma voz muda, fala de dor que segue perto. Uma lágrima que lhe percorre a face é rapidamente limpa, expressão nula… Segue só, quebra rumo conhecido, vira adiante, expectante. Sentido de aventura e desconhecido aquecem-lhe o sangue. Sorri, um sorriso profundo, quase apelando a loucura. A paz na sua alma explode, dá lugar a revolta. É um pedido de mais. Mais e mais! Enrola o punho as linhas tornam-se esbatidas e turvas, a realidade desvanece e tudo se transforma numa visão torcida e retorcida aos caminhos da mente. Mais, mais e mais! O mundo vivido dá lugar a fantasia, um mundo sonhado ao rondo do motor, ao contar ...

Ilusão, regresso e solidão

Veio sem se fazer anunciar. Entrou disparada. O lugar não era seu a muito. Mas não se fez de rogada. Rompeu com o dogma imposto. Não fez verdade mas lei. Reclamou lugar e trono. Quis ser princesa, víbora disfarçada. Entristeceu automaticamente o lugar… Fiz-me a fuga. Sem esperar a alvorada. Tentou regressar, ao sítio onde não era esperada. Esperava carinho, braços e ósculos encontrar. E simplesmente foi negada. Coitada…

Sátira a uma “bebida”! (original de 1998/1999)

Que doce é aquele vodka!!! Que doce sabor tem, aquele delicioso, vodka de morango! Que leva, bem... As jovens meninas a amar! Moranguitos irei eu colher! Para mais um vodka beber! Que doce sabor ira ter! Mas que é isto? Não apenas de morango pede?!? Pede também de laranja vermelha, e Bacardi? O que belo panorama! Este que se me depara! Ver dois bons produtos a desaparecer! Só sobra uma devoradora, e, um moranguito! Como vou eu gostar! É tão lindo de se ver! Uma devoradora, e um moranguito a dançarem mesmo juntos qual casal de namorados! Mas quando ao fim a noite chegar! Já não vou poder ver o lindo desfecho desta história! Ó que dor! Ó que gloria!

Consciência inconsciente

A sensação de conveniência que suavemente adverte os meus ouvidos, no caminho que se mete, perde-se o conhecimento e somente se segue em surdina o mais mudo dos guias. Atenção, que não falhe por razão de rotina, qualquer indicação que possa ser causada, ou por outra vez indicada, cruel e estupidificada, dada a atenção de um desabafo, cruel é a volta, cruel é a gente. Bramem então, silenciosas vozes, não por destino, não por sentido mas por pura estupidez. Reconhece-se um revolver de tudo, não se sabe os contribuintes, não se sabe nada que se possa adicionar, as palavras dançam conforme as pessoas as dizem, um acrescentar de tudo e um revolver de nada e então… Então não há nada que me possa por ventura volver ao um sentido conexo e faço novamente uma menção ao sentido sai-me um riso, o meu cérebro expirou ontem. Reconforto-me na estupidez e tacanhice das pessoas, que tenha expirado então o meu cérebro? Não me parece. A data enganou-se e eu enganei-me a mim próprio ao acreditar, voltei ...

Para ti, morte em vida

O silêncio que me acompanha, deixa-me dormente. Esquecido e oculto o sentimento, recuo e revolto sobre mim. Não deixar pistas, não dar ar grave. E continuo a agir assim. Expressão a normalidade. O contínuo que me move queixa se no meu peito e a singular verdade que me libertaria, foge por ordem e razão. E como ambiciono a liberdade... Como quero fazer dela minha constante... E enquanto continuo oculto em plena vista do mundo, enquanto dou azo a minha mascara, mais definho por dentro. Mais me minto. Mais me oculto. Estupido, idiota e aventesma. Covarde ignóbil! Imbecil.

Serein

Esses teus olhos, hão-de me matar. Toldado por insegurança, desvio este olhar. Se o sinto perto do meu, meu sentido é de largar escudo e partir à fuga. Mas como jóia reluzente, toda tu, lá me volto para olhar e assim me perco no teu olhar… Dou ar de indiferente e não me desvio de ti. E então falas, em sentido de por me em ordem, comandas, com o teu mandar. Ordenas que abandone o manto soturno e me faça brilhar. Sem ver, olho para ti. Que não me falte a força, dou ar de duro, não me deixo derrear, não me as de derreter. Digo: “Ensina-me a brilhar”. O teu olhar torna-se quente e envolvente. Perco o sentido, perco a orientação. Derreto-me. Mesmo sem saberes, sorris. Secretamente, toda tu em vitória. Continuo a tentar-me forte e contido, mas todo eu sou água, rio, oceano… Replico novamente: “Ensina-me”. Replica de oculto desespero, secreto desejo e ambição desmedida… Olhas então novamente e o teu olhar incendeia-me, queima-me, faz de mim cinzas e ilusão… E manténs-te serena… E só esses ol...

Distante, Oriental

Mantenho-me longe do esquecimento e a passo curto de me esquecer. Se por movimento inseguro ainda não esqueci, pode parecer-te mas já não há como rever. Subserviente de me ocultar, o esquecimento persegue-me, não me atormentes pela manha, tarde ou noite, se te esqueci, por problema teu se deve. Exercito então esse esquecimento, enquanto me deixo estar no meu canto. Sei me mim, irra e pranto, calor constante de irritação e frieza selada é assim o coração. Sei por mim, mero ser, que nada me custa esquecer, se uma recordação guardo, quem sabe não a nego ter. Rio e parto distante, vivo nesta ânsia de o fazer. Pois partir eleva o esquecimento e de esquecimento vive o ser. Escrevo, já não o fazia, o meu ser não conhece o meu saber, as minhas palavras anseiam a saída de partir da minha mente para outro ser, outra existência, outro lugar, qualquer coisa que as mude, uma variável que desconheço, em fim sei lá ou já se me tornou a esquecer? Olho a volta é tudo alienígena, desconhecido, alheio a...

Origin, words and metaphysical ignorance

My head keeps writing down all these sentences I can’t understand. All these untold things I can’t translate to words keep rumbling in my mind and I tick myself to tock myself to look inside my madness. My head writes it all down, words I can’t follow expressions I won’t use, abuse or seem to understand, creativity exhales from nowhere and the motion that follow makes the heart tremble and the mind shiver. Confront and control there is none that may follow, as worlds pour down waters become united, words fall and meaning is divided. Confusion sets, I am divided in myself amongst myself, amidst the reason, along the sad twists in the road and we all row for certainty, escape the knowledge confront conflagration and the lies flow with the unreasonable acts. My head aches and I can’t make out what ills it nor can I heal it at will… The arrow is shot, the pace is set in motion, I strive to turn around and step out of sight, I am in the path, the conclusion is certain, the reason is not. My...

Pensamentos em Espiral

Palavras fora de controlo. Medidas assimétricas, concentricamente descoladas em adjacente medida de desespero. Ébrio, é o pensamento, obtuso de insanidade. Despegado, desassossegado, desligado e despojado de sentido ou valor. Desenha a traço solto o invisível canto do movimento de passar do tempo e em espirar tudo cai e colapsa. Tudo cai por subsequente movimento de inspiração que expira e abandonado o movimento, fecha-se o livro. Termina-se outra aventura “O Fim” segundo se espera… E por desfeito feitio, sem que nenhum feito se assinale, ruma já por discreta via, perdido o rumo, para a frente é o caminho! Sem expressão que se assemelhe, brilho visível, valor negado. Sem esperar uma primeira vez, anseia pela próxima, ao sentido de repetição, ao sentimento de perda, a primeira, perdida, já nem volta. Não existe retorno. Falha então a luz. A razão foi a muito esquecida e por declínio do momento curva-se o ser. A alma dorme escondida e ferida. A alma dorme segura e confiante. E tudo por ...

Inverno de pesar, negação de ser.

Se não fosse Verão, dormiria ao relento Se não fosse pelo sol, pernoitaria por ai à chuva e ao vento Mas como há sol, que me-hei-de retirar ao refúgio do forno E hei-de assar no meu tempero, lume brando, chama viva Se por passar o meu tempo, rebolando sobre mim mesmo Não fosse a chuva começar Não conhecendo o destino do tempo Só me resta então renegar. Por motivo então de loucura alheia, dormirei ao relento E se o vento a minha face decidir afagar Ora então que se vá e se parta! Não quero esse sofrimento! Raios e coriscos mil, coisas que repudio ao passar! Se por hora me deixas caminhar, que não caias! Já não é o meu lugar. E se existe um motivo oculto. Oculta tudo então. Se existe uma razão que me valha, ou por loucura de perdão? Por ser Verão, Primavera que fugiu. Ficarei então ao relento. Pernoitarei ao luar.

Como corre a noite em sol(teiro) menor

Como procuro, em forma de desacato teu quente abraço e nele em perdido sorriso me quero afogar. Não me confundam, não vejo uma hora de me retirar por ai, procurar um abraço anónimo e seguir em frente, por ai, com um sorriso estúpido na cara. Não me interessa um amor concreto. Não o conheço. Não tenho quem mo de, não tenho a quem o dar e perdi até o interesse por amar. E então vem uma cerveja para a mesa e vem uma torrente de álcool. Vem uma figura encoberta apenas para me encher o copo e por fim sorrio sem nexo um sorriso solto e despegado sem desejo de retorno sem desejo de nada. Olho-te bem fundo nos olhos e há simplesmente vulgaridade, sinto-me então vulgar e por hipocrisia continuo a sorrir. Viro o copo e a bebida escorrega por entre as mentiras que me saem da boca e na verdade não és nada interessante. Então olho a volta e desapareces na distância, nem a tua beleza prevalece. Um amigo chega e fala, fala, fala, fala sem parar. “Olá, tudo bem, adeus”. Se me sinto privado de tudo, ...

Pedra

Há pedras que nascem pesadas Com a vontade de rebolar Meu coração nasceu pesado E sem pedras para o pesar. Sei em meu peito alma viva Meu sonhar há-de quebrar Em vista de um sorriso vazio A estes olhos, o pranto. Não me resta um espanto de dor Não sei se um caminho me segue E enquanto espero um temor Treme o peito, parte a alma. Tu, que me fazes passar por parvo Que te consuma um raio Que te quebre um salto Que chores, não me importo. E se olhares neste peito que foi teu Lá acharas o teu pranto. Não recolhas a teu canto. Pois é um vazio de desencanto.

Perfeita loucura, cruzar-me contigo

Um dia de trabalho, por um sorriso mal usado, mal me mexo de este meu centro de loucura e tudo parece tão ousado. Contar a verdade é um ciclo estranho passado por presente e abandonado a todo o esplendor perdido, ninguém aceita o dito e tudo o verdadeiro é odiado. Sorri para mim. Sempre que vejo o teu rosto o meu corpo treme, sempre que vejo o teu rosto, todo eu caio por terra, sem sentido, sem denúncia, sem vontade do que quer que seja e por mais, por mais que eu possa em qualquer querer dizer, só quero mesmo é estar contigo e abraçar-te. Mal abro os olhos novamente já te esfumas-te… Fugaz. E então sei que nada é o que eu quero, espero, almejo ou desejo. Olho para o nada e o vazio é uma constante, nem pelo que vai diante de mim, mas por tudo o que me parece rodear… Não me recolho à mim mesmo mas sinto-me algo enojado. Contorno-me e recolho a informação, olho outra vez para aquele sítio onde estiveste comigo e só me sinto. E por ambígua decisão do destino, estamos sempre, pé ante pé, ...

A mesa e ao tempo perdido, palavra curta

Penso por um momento em sossegado retiro sereno, se a terra apraz este sentimento ou se me recolho apenas ao resguardo de meu pesar e com o peso do mundo desenhado ao meu desdém, escondo este meu rosto soturno. E sorrir? Não sei por quem. Desenho a mão solta um circulo perfeito de meu ser, oculto em mim por medo, disputo este negar do meu saber. Agarro a mão que me arrasta desmedido em meu temer, abraço o meu medo já que nem sei o que é vencer. Declaro-me em derrota, absoluto dono, por dever e em imaginação nada me fique devido. Hei-de o cobrar, tal é o uso deste escravo, tal é a ilusão de permanecer. Desenhei a mão solta um circulo e esse circulo em espiral perfeita se há-de volver. Abraço o nada, esqueci o medo. Para que me perder, se estou já perdido?

Eterna

Não sei se vivo cada noite que fico horas deitado na cama enquanto não durmo... Parece que estou preso no ar, simplesmente a flutuar, quase que estático... Tento virar-me, mas não é preciso. Observo o mundo que gira simplesmente a tua volta... Nunca vi a tua cara, nunca ouvi a tua voz, conheço apenas as tuas palavras, que me agradam e me deixam perplexo... Quem me dera poder ver-te, falar contigo, partir fronteiras... Ainda assim estou estático... Dizes que es feia, não creio que assim seja, pois se tu fosses feia eu teria que me encerar numa caverna, bloquear a entrada para ninguém assustar... Para mim és demasiado complexa, não sei como te tratar... Invades-me com algo que parecia não recordar ou apenas preferia não o fazer... Sei sinceramente que me preferes ignorar... Ou então simplesmente que me deves odiar... Pareces serena, simplesmente sentada a janela a olhar para a lua... Não se ouve um único ruído, nem o leve sussurro do vento que faz esvoaçar suavemente o teu cabelo... Quas...

Sophia

Para que olham estes bonitos olhos vazios, perdidos por mil desventuras? Para que se revezam estas perguntas soltas, se tudo o que pergunto sei já responder? Para que se procura a esperança no escuro, se tudo foi deitado já em claridade? Para que me dedico a algo, se tudo acaba por ruir? Porque deveria sorrir? Porque deveria chorar? Porque deveria revelar? Porque havia de sentir? Quem haveria de saber então? Quem poderia acreditar? Quem saberia responder? Quem se haverá de importar? Se conseguir achar um motivo, deverei tentar? Se conseguir saber algo novo, deverei esperar? Se conseguir agarrar um sentido, deverei segurar? Cresço em todo o meu sentido. Cresço em toda a minha consciência. Cresço em mim, sozinho. E de tanto crescer, mais estúpido me sinto ficar.

Corro, fujo, desapareço

Percorro sem saber, a sombra do passado, evitado por nada, nem desconhecido de mim, facto aceite e verdade simplificada. Não sei ainda para vou mas para algum lado me devo dirigir, mesmo sem sair do meu sitio, vou e quem sabe para onde realmente? E então fecho os meus olhos. E que mais? Abro-os e olho, não sei se o que vejo é realmente o que deve ser mas para este momento serve. A luz é boa, o ar é fresco, o mundo divide-se entre a escuridão e cor. Sozinho por um momento, a meias com o mundo, apenas contigo, quieto, em movimento, tremido e temido, sem dúvida fora de um nexo comum e recaio nesta ideia, de facto o que é comum? De facto, o que é normal? É um conceito de rir. Corro. Não por motivo algum, não gosto de todo de correr, não é a minha cena, não é a minha especialidade, não é o meu movimento. O mundo persegue-me, alcança-me e envolve-se novamente em todo o meu sentido, em todo o meu ser e em tudo o que sou. Ridículo, como me deixo tão facilmente apanhar. Patético, como me deixo ...

Há, sem haver.

Não posso escrever, sinto a caneta pesada, fora de mim mesmo me sinto e sem rumo fixo me conheço, não me conheço em mim próprio não conheço sensação de mim, sinto-me puxar pelo meu interior, forçadamente e estupidamente com sensação de arrancar as minhas tripas, desconheço-me neste sentido e por não poder escrever, não por não querer mas por não ter para quem escrever, escrevo a pena solta a fogo posto a bandeira despregada de sentimentos e sentidos negados aponto-me a mim como culpado por sentir sem existir talvez por sentidos ou coisa alguma em altura sempre suspeita, senhor de nada e por tudo dito não posso escrever, não sei então porque escrevo! Não posso escrever, escrever é quase um dever, um escape de mim para nem sei e neste momento nem sei para quem escrevo e ainda assim atinjo esse objectivo? Escrevo assim despregado e doem-me as mãos, os braços, o estômago e a cabeça não escrevo por mim, não sei porque escrevo e se escrevo de todo ou bato com força no teclado, carrego com t...

Onde, por onde? Por nada…

Retira-me do meu lugar, meu futuro passado escondido e diz-me por força como me hei-de encontrar, escondido em sossego, oculto a vista do mundo, meu lugar sereno e simplesmente longe do teu olhar. Orienta-me. Afoguei-me nesta sangria, escoei-me de vinho e comi fruta envenenada tão só por opção negada, deixei-me beber e fui bebendo. Ao ocultar a opção não escolhi a resposta acertada, fui enchendo esse e esvaziando a vida, nem sei se por escolha ou decisão informada… Esqueci-me de ser feliz, não creio recordar tal desígnio, talvez opção velada por força de normas. Obriguei-me a negar por vida perdida, dediquei-me a expirar… Ensina-me algo, dá-me um sopro de vida. Em veneno puro resido, o meu ar é pó e não conheço sol. Acorda-me! Nem me sei a dormir, por força necessária de um sopro de existência, rogo um beijo teu! Dá-me vida… Ou nega-me. Deixa-me solto por ai, ignorado por ti, esquecido e perdido de ti… E então sofro. E então choro. E então torturo-me. Desligo-me por força ...

Inocente

 Indescritível melhoria, sorrio, ao ver esse dia! Sorrio, sorrio, sorrio… Ao beijar os teus lábios, sentida alegria! Sorrio, sorrio, sorrio! Teus lábios, qual rubis, perdição de meus dias! Sorrio, sorrio, sorrio. Passo a mão, pelo teu cabelo e perco-me nele. Sorrio, sorrio, sorrio… Pouso o outro braço, a volta da tua cintura… Sorrio, sorrio, sorrio. Puxo-te, aproximo-te de mim… Sorrio, sorrio, sorrio… Como-me sinto então, em pleno estado de euforia! Sorrio, sorrio, sorrio! E então acordo! Tristeza, solidão, desespero… Penso então em ti, lembro-me de este sonho… Então sorrio, sorrio, sorrio…