Mensagens

Palavras Perdidas

Aguardo uma mensagem, de algo que não vem e ao qual não conheço o momento… Enquanto sou, fujo de mim, nem sei como me explicar, se me deixo quieto ou se me repudio, não conheço o sentimento, falha-me a emoção, melindra-me tal coisa, nem se por onde lhe pegar, não existe uma ideia concreta que me deixe constante e assim como anteriormente me largo a vagar, velho tunante… Falta-me o álcool, nele me hei-de deixar, nem sei se o reconheço, parece um velho amigo de velhos tempos passados, envelhecido pelas passagens mas nobre jovem e jovial companheiro… Falta-me a emoção, não sei esse motivo, não conheço tal orientação, que me falte o desejo, desconheço o fomento da emoção, cativo de um movimento, cruel condenado, hei-de reconhecer um momento e nesse momento hei-de o revelar, nada é pois um momento que me possa condenar… Então aguardo… Quem saberá dizer pelo que aguardo? Não saberei um motivo concreto… Talvez por me deixar sempre a vagar. Em questão de momentos me perco e por desinteresse de...

Antologia de nada e mais nenhures

Simples razões de iludidas verdades, conforme o soar de uma dissonante alusão, dorme o mundo e nem um momento se para se não para respirar o seguinte. A vida passa. Não existe, talvez por não ter sido imaginada, tal verdade, não existe tal concepção de irreal e nada é senão isso mesmo, um momento descabido e uma inconstante mudança de realidades, dorme o mundo, consulta-se a noite, não passa um momento mais que valha um sorriso, nada senão o que esta proposto passa para além de essa verdade, dorme o mundo e a vida, dorme todo o momento, existe uma inverosímil mudança, cai-se em monotonia de momentos, não se sobrevive por nada e não se luta, que o saiba, por nada. Desliga-se a gente, não há nada mais que possa eventualmente compreender, nada mais que possa fazer, sente-se a realidade difusa, nem a noite é já confortável e simplesmente os dias arrastam-se conforme desígnios que me vão ultrapassando, nem sei por onde, nem o seu motivo, mas sei-me ocultamente estranhado e estranhamente ilu...

Náusea

Assalta-me a vida tortuosa, não conheço segredos que queira esconder… Deita-me ao relento, ainda nem me deitei e já está a alvorecer… Cria-me um sorriso, ainda nem o conheço e já o estou a perder… Obriga-me a sentir, toca-me, deixa-me ver, pode não ser se não um meio de me perder e no entanto nesse perder, me deixarei encontrado, sem um ponto de memória, sem escapatória qualquer, sem mercê ao momento sem qualquer motivo e se por motivo qualquer me encontrar, negar-me-ei veemente, nada mais terei a perder… Esconde-me pela manha, detesto acordar, de certeza que vai estar a chover e no entanto faz sol mas sei estar a chover. Correm gotas pelo rosto das gentes, as verdades são sumidas, as somas são inconclusivas e a matemática incerta e ilógica, talvez por à odiar me pareça demagógica ou talvez perdida de valores uma ver que se torna improcedente indeterminada e a mente minada sinceramente exonerada não a conheço e nem a quero conhecer… Concebe-me um meio, já estou a fim de tudo, nem sei a...

Assaltos

Pobres e cansados olhos… Cansados jazem sem vida. Não dormem nem conhecem descanso. E rouba-se deles a luz perdida… Pobre desterrada alma, Como ninguém te entende… Ninguém te estranha… E solta te entendes desmoronada e sombria… Pobre incompreendida solidão. Entendo-te bem demais. Conheço-te por amargura… E ninguém te tem como familiar… Pobre cansado coração… Velho e abandonado… Deixado pelas ruas da penumbra… E idealmente fustigado… Pobres e cansadas mãos… Sois a vaga fuga desta alma… Tristes e descartadas, cortadas de toda a existência… E pareceis no entanto vivas… Pobre e cansado ser. Triste, amargamente armazenado… Não sabes se não sofrer… E por ti, estranhamente amargurado…

Estranho

Pudesse eu mudar esta minha forma de ser, diferente de como sou, fora de ser, sem nem sequer pensar nesta estranha forma de conviver, sem deixar por mim, por fora de mim toda a forma como sou. Pudesse, faria eu maior e mais estranha coisa, tremenda exaltação de toda a verdade remexendo com esse sentimento que vou escondendo e sentido e escondendo e prometendo não me esconder diria tudo e sem dizer assim me fico meio escondido talvez até assustado dessa mera verdade que me cava a mente. Pudesse, sem poder, nem sei como o faria, pois ao olhar para ti todo eu me derreto, nada sem mais, nada sem menos, perco-me, só me saem baboseiras, nem uma conversa sei ter a meias, quase que salivo em desespero pois nem a mais simples palavra consigo pronunciar. Pudesse eu dizer isso, sei que te irias esconder, irias querer fugir de mim e no entanto nem estas aqui perto torna-se ao revolto tal sentimento de estranha inconstância, nada sei senão o que deitar a perder. Pudesse eu, sei que o faria, haveria...
Já me vou deixando andar em horrores de quem não fala, pois a verdade é que nem sei andar se não andar assim perdido. Refiro-me assim, a tudo o que possa julgar, pois nada é tão visível que a própria verdade dos tempos não vá por força de mudança descobrindo… Reparo por essa janela, a noite vai alta e a noite vai se velando, as nuvens vão correndo e o céu reclama o seu descanso, a noite é o seu eterno paraíso e o tempo passa um pouco sádico pois é momentâneo e nesse momento nada se apresenta tão calmo como o que dorme. Hoje as coisas estão estranhamente compostas, está tudo estranhamente exposto e deitado ao acaso muito sinceramente correctamente disposto. Obrigaram-me por força de extremismos externos a pensar, tive que decidir a melhor forma de actuar, sinceramente nem me deitei a lutar, parece ser mais uma dessas mil e quinhentas batalhas que simplesmente não tenho a mais remota hipótese de ganhar… Surgiu-me então esta ideia de me ir deitando ao acaso, sou neste momento brutalmente ...

Por onde.

Entre sonhos repetidos, lamurias de seres estranhos e todo aquele temor de uma noite mal passada, se ergue dormente o inglório solitário. Em noites de sono, em que nada se assemelha senão a uma incógnita inconclusiva, há uma verdade de meias mentiras e em que cada sopro dado faz bater as asas de uma borboleta abandonada ao sopro da tempestade, penso em ti e as coisas melindram. A noite cai assim, dormente perante as ruas, as ruas tornam-se populadas, as pessoas encontram-se nelas, ébrias, drogadas, dormentes e desligadas, as ruas tornam-se passeios de decadência, vivos olhares de ignorância atravessam quem os olha, a vida é selvagem e passeamos um jardim de inconstância. Dormente me encontro e dormente me deixarei pernoitar, nada nisto se assemelha a algo que possa compreender como sendo constante, nada senão um temor de um horror que me passe no olhar e mesmo esse sei ser completamente distante, mesmo esse sei ser completamente irreal... Aguardo por uma por um momento de sobriedade, n...

Entre a consciencia, existo para um vazio

Oculto-me em palavras, de mil e uma conversas afins... Descrevo argumentos e sinto-me incrivelmente longe de onde estou, presentemente ausente. Digo tudo, falo, prefiro não me calar. Exponho, converso, argumento, preferiria nem me calar. E é difícil, é um desafio contemplar algo assim, mantendo-me dificilmente presente e obtusamente ausente... Assim, dizer algo liberta-me pois não posso de modo algum estar calado. Assim, não dizer o que pretendia deixa-me na incógnita do momento... Mas esquivar-me de algo parece impossível e mesmo assim contorço-me ao inacabável. Esforço-me por medo e vergonha. Nego-me... Não posso nem tenho como me justificar, o pensamento é todo em si um pouco obsoleto... Tratam-se de ideias que deveria já a todo momento livrar e encontram-se no entanto fortemente cimentadas no meu ser... Falo, recorro ao retórico. Nem sei se com convicção ou existo. Tento e levanto-me para onde posso. Paro ou param-me? Por vezes é difícil discernir. Assim, fica a verdade velada. Exp...

Estranha ausente

Estranha que tu és. Desaparecida longe dos meus olhos. Se te dirijo algo, ser-te-á dirigido assim. Sem que ninguém o perceba, ninguém saberá para quem é. Estranha que tu és... E já a algum tempo que não te sinto perto. Já a algum tempo que não te vislumbro... Estranha que tu és, que te é prometido algo... Assim, aqui aguardo... Por ti e toda a tua peculiaridade... Estranha que tu és, encontras-te longe mas presente... Nem sei se o diga, será para causar confusões e assim... Estranha como tu, que sinto a tua falta... Quando voltarás, nem sei se o farás... Como virás se alguma vez virás de todo... Então aguardo e essa hora vai sendo tardia... Esperarei para abraçar-te... Esperarei para rever-te... Não será se não para ti... Tentarei o que puder por ti... Estranha que tu és. Falham-me as palavras... Não saberei o que dizer... Não será preciso dizer nada... Mas quando vieres que venhas tu por ti... Esperarei como sempre espero. Só quererei e quero saber de ti... Estranha como és... Estranh...

Boa tarde, vá-se embora.

Hoje acordei desmedido, em sentimentos nulos, de pernas cruzadas, de bruços sobre a almofada, torto na cama, de cabeça para os pés da mesma, virado do avesso e estranhamente esticado e mesmo assim todo atado. O lençol jazia por terra, não sei explicar, talvez por calor, o pijama encontrava-se suado, como detesto o Verão... Sai, expreguicei-me, olhei para a cama, admirei a sua confusão, realmente nem interessa, deixei a estar, dirigi-me ao banho, meti-me debaixo do chuveiro, nem quis saber da temperatura da agua, deixei a mesma correr, sei apenas que o manipulo estava a meio. Dirigi-me novamente ao quarto, encontra-se abafado, eternamente abafado, raios, como odeio o Verão, vesti-me sai com a família para almoçar, demasiadas pessoas a volta demasiado barulho a ser feito, quem me dera então saber, por que raio há sempre tanta gente neste lugar. Retirei-me ao meu lugar de trabalho, mais pessoas a passar, sinto-me assim hoje, altamente anti-social. Continuei por este local de trabalho, ent...

Sussurros

Minha casa das arvores De paredes cinzentas e pintada de verde. Como são de pó os teus soalhos e como posso tocar o céu se tão só esticar os braços. Minha triste casa. Onde os sonhos são tudo e nada, onde as horas são passadas entre insectos e relva gelada. Minha pequena casa. Escondida num monte a beira mar, ilha de calmaria, fonesto descanço de gigantes. Como gostaria de dormir entre as tuas paredes... Como gostaria de prender-me a ti e largar estas asas cadentes. Como ousaria fazer-te prisioneira da minha vontade... Como te reconstruiria minha casa de telhado celestial? Farei de ti algo novo? Deixar-te-hei por ai a vaguear? Minha pequena casa das arvores... Como te poderei encontrar, novamente perdida...

PORRA

Dêem-me um dicionário! Não de palavras de costumes! Custa-me compreender estas vertentes distensas! Custa-me entender estas coisas intensas! Nada! Nada é realmente dito, tudo o expresso é expresso de uma forma camuflada! As coisas não são senão uma piada e nada é senão uma constante inconstante de inquebrável imutabilidade, de constante inconstância, de suprema estranheza e intrinsecamente ligada a um cerne de extrema confusão! Repudia-se a frase anterior... As verdades, se as há, são inconclusivas! As mentiras, que as há, são estranhas, semi-originais, semi-irreais, semi-falácias, semi-contundentes... Arrasta-se uma ideia. Questiono o que fazer. Não conheço nada que me responda. Enfrento esse dilema. Escondo-me! Escondo-te! Esconder-nos-hei! Porra! Desespero! coisa sensivelmente estúpida e completamente sábia... Como reprovar algo que simplesmente não posso negar? Escondo-me. Hás de me encontrar? Quererei ser encontrado? Porra. Já a muito que isto deixou de fazer sentido. Já é demasia...

Assim

Como és tu que és Estranha… Cabelos de fogo, olhos de luar, sorriso de estrelas, humor de mares, lábios de rubi, coisas incessantes que deixam o estranho inconstante e o inconstante estupefacto. Como és tu que és assim? Como poderei descrever isto, se és como és se não conheço como és, se te faço rir, como se sente todo o corpo? Que se sente de facto cada vez que de estranha se enche essa mente, cada vez que estranha se mantém nesse olhar, cada vez que estranha te percorre essa corrente? Como o poderei então explicar? Como o irei dizer? Como descrever algo que mal posso explicar, assim a distância de um abraço, assim a distância de um braço, assim a distância de esta visão? Como o direi pois este espectáculo que de estranheza se enche, que de maravilha se fascina, que de assombro se deslumbra não consegue, não convence, não espia, não o diz, não sabe, não pergunta, não se cala e ata-se em livre volta, confuso e redondo, nada mais se não uma ilusão? E como és tu que és Estranha? Como me...

Decidido

Hoje decidi aliciar-te os sentidos. Decidi aquecer-te o coração. Decidi mexer com a tua alma. Decidi jogar contigo e não te negar a emoção. Hoje decidi levantar-me. Decidi acordar. Decidi parar de sonhar. Talvez tenha decidido parar de sonhar. Hoje decidi beijar-te. Decidi abraçar-te. Decidi aquecer-te Decidi talvez amar-te. Hoje decidi sonhar acordado. Decidi confundir-me. Decidi não ter nexo. Talvez tenha decidido até perder a razão. Hoje decidi não fazer nada. Decidi dormir mais um pouco. Decidi fazer de tudo um pouco. Talvez decida realmente o que tenha que fazer. Hoje decidi que havia de me fazer irreal. Decidi que havia de descobrir todas as mentiras. Decidi que havia de por tudo a claras. Talvez tenha decidido tudo e mesmo assim, não posso fazer nada.

Hoje

Hoje não me recordo se comi. Falha-me essa imagem na mente. Se comi, não me recordo realmente. Se comi, não sei se foi carne ou peixe. Se comi, não sei se foi sólido ou líquido. Se comi, não me recordo sequer se mastiguei. E vem-me esta fome, nem sei se a sinto ou se me engana a mente. Se me sinto vazio ou apenas doente e dormente. Se comi, que será que comi? Se comi, será que realmente gostei? Se comi, será que foi quente ou terá sido frio? Se comi, será que hoje realmente comi? Que raio é esta coisa? Quem me faz pensar neste momento… Se comi o que comi? Que não me encheu. Que me deixou assim em vazio? Que não me fez sentir sequer consciente? E revolto-me com este pensamento. Aparentemente terei comido, recordo-me vagamente. E repuxo-me. Caio redondo, decadente. E penso, em tom sombrio, taciturno e impaciente… Grito alto, qual tortura demente: “Quem me roubou essa refeição!?” “Quem me prostrou tal duvida fervente!?” Sem significado cambaleio. Vivamente recordo-me de não ter consciênci...

Só e somente. (Ler e ler de baixo pra cima.)

Escrevo em linhas baixas palavras altas. Dito versos distensos e as palavras ilustram-se diluídas. Comprometo uma palavra. Sacrifico um sentimento. Refugio essa inconstância. Replico essa expressão. Indago indignado. Espio essa explanação. Comento incessantemente. Caio e rio-me insanamente. Não dou explicação de nada. Repudio essa tristeza aparente. Conheço o claustro que foi imposto à mente. E enquanto se deita a conjugar um demente. Sinto-me tão só aqui, tão dormente... Só e somente.

Ode a lua...

Sinto o cheiro de humidade no ar, a lua brilha e nada se parece com nada que pudesse alguma vez reconhecer. Sinto o ar fresco, o Verão parece uma altura estranha do ano, a noite é fresca e serena, a vida é lenta e desgovernada, acelerando ao balançar do vento desconhecendo os danos da sua oscilação… Revolto-me, reviro-me, tento encontrar uma razão que me faça sorrir, um motivo de pequena felicidade… Como te sinto aqui? Como te sinto como estando aqui? Porque sinto tão forte a tua presença, sem saber sequer por onde deambulas? Sinto a tua falta, sinto a falta da tua voz, sinto a falta do teu olhar, sinto a falta de ti por inteira…Sinto-te aqui, e porque? Sinto-me sozinho, sinto-me desligado… Sinto-me repulsivo, culpado por algo que não fiz… Moras aqui e nem aqui estas… Estas incrivelmente perto e constantemente longe e ausente. Escreveria uma ode a lua se isso te trouxesse para perto. Cantaria em desconcerto por ti… Tornar-me-ia a imagem do teu gosto… E assim me encontro reduzido a ti… ...

Memórias de Insónias

Enquanto a mente não dorme, a alma fugaz e sentimental, escapa por entre as frestas semi-cerradas da janela. Enquanto o corpo lateja e a cabeça se resente, a alma dança, padecendo quase drogada em extase sentimental. Enquanto os sentimentos se revoltam sob o ribombar da maquina vital, a alma percorre esse infinito de escuridão... Pobre da mente desintegra-se... Pobre da razão adormece, dando azo a ilusão... Pobre do coração... A mente essa recorda-se, percorre o seu peculiar album, escolhe-se nessa recolecção. A mente recorda-se em tortura e faz aquecer o coração. A mente joga com o corpo, com as memórias, da fomento a ilusão e arefece esse enrijecido coração... Pobre de esse coitado coração... Os olhos cansados, pecorrem o celestial manto em que a alma descança qual ilusão... A cama parece uma caverna num vulcão, quente e inospita, sítio perdido para a razão, lugar de desconcerto. As almofadas mudam, tornam-se tão duras como nuvens e tão pesadas como betão... A confusão assenta-se, a ...

Entre mentiras e confidencialidades

Quem me deixou, andar por ai distraído? Quem me deixou, por via de jocosa atitude, deixar estas canetas espalhadas por ai? Quem me deixou, se o engenho não me confunde, deixar por mãos alheias o que vai sendo feito? Quem me deixou, se a virtude é fugaz, deixar esquecida toda a memória e oculto todo o mundo? Quem me deixou, quem me permitiu essa perda? Quem me deixou? Quem me deixou assim perdido? Quem me deixou, pintar essa tela, desenhar o rasgo do horizonte, pintar o mundo, colorir a vida para simplesmente me deixar perder essas canetas? Quem me deixou ficar naquele lugar, sendo que fui o primeiro a chegar, hei-de ser também o ultimo a sair? Quem me deixou consumir a lua e roubar toda a luz do mundo? Quem me deixou fazer coisas inumanas? Quem me deixou violar mil e uma coisas das quais jamais ouvi falar? Quem me deixou então ser julgado? Quem me deixou arrebatado? Quem me deixou então…? Quem me deixou? Deixou-me a dúvida que se sublimou a estupidez… Deixou-me a incapacidade de respon...
Somos senão reclusos desconhecidos de palavras, entregues a boémia, tunantes por natureza, seres de inconstância e inconstantemente descontentes, privados de uma realidade una sujeitos as falácias desta vida. Quem mandará em nós? Quem fará de nós algo que não somos e quem nos identificará como sendo senão quem realmente somos? Não quem, mas o que somos nós? Perdidos constantemente por linhas escritas, devorados por litros de tinta gastos… Apresentamos o sorriso que nos foi dado talvez um pouco roubados, talvez um pouco injustiçados. Que seremos nós? Agita-se esta questão, revolta-se todavia o mundo, nada é senão o que aparenta não ser e assim, ainda que estranhamente composto, tudo é dúbio, revoltado e mal estruturado. Sentimos esse ar mal sentido, ouvimos essa lenta valsa enquanto salto-mos ao som de algo mais pesado. Escondemos algo misteriosamente exposto aos olhos de todos e por falta de vontade, negamos meio a meio mundo a dor que vai nos nossos olhos. Cai-mos em revolta, jorram l...