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Ermo de Solidão

Desenhas-te em ti, ermo de solidão. Cruel, qual morte à traição. Doloroso como um pranto profundo, vil como uma enfermidade… Neste ermo cinzento como a vida, repouso em soturno silêncio. A minha vista um mar de lágrimas, derramado sobre uma alma partida e manchada… Mas nada muda com o tempo…? Apenas a dor, tão conhecida e familiar, parece diferente a cada momento, apenas maior e mais profunda… Razões que me condenem, não as conheço. Tudo tão simples, tão mortal… Absolutamente tudo irrealmente real… E apenas quem conhece uma dor tão profunda consegue alcançar este sítio perdido… Este ermo de solidão… Onde mortalmente habito e onde jaz meu coração…

Enfermidade da Solidão

Existe um cumular de ódio em todas as sensações vividas, tudo ligado a tua integra figura, um ódio dividido em si mesmo por um amor que não consigo apagar. Escrever-te-ia mil e uma prosas, mil e um versos, mil e uma histórias, mas nada apaga este sentimento de dor que cravaste tão fundo cá dentro. Então, que somos nos, senão figuras inacabadas dessa solidão? Assim, que sou eu se não a figura solitária e todo este ódio inalcançável que cravas-te em mim? Penso, assim que ando pela rua, um céu azul que mais parece um manto de morte, uma lua soturna que se contempla a si mesma tentando aperfeiçoar-se a si mesma, mas que tão só alcança o que deseja por uma noite e nessa mesma noite se começa a destruir a si mesma?! E tu? O meu mais perfeito amor, este punhal perfeitamente cravado no meu coração morto, que tão só procurou por um momento amar-te e se o conseguiu, deixou-se consumir nesse mesmo amor e neste momento bate apenas para suster esta vida ingrata e triste… Tu… Que tanta v...

Eu contra Eu

Suplicio de vontades Individualização de mim mesmo Teorias gastas e perdidas Levadas em palavras Que nem o vento ousa pegar Eu, que contra mim mesmo erijo o mais alto obstáculo O mais intransponível dos muros Eu que sou se não uma limitação a mim mesmo E que nunca me consigo ultrapassar de modo algum E então que sou eu se não o meu pior inimigo? Não há, nem aspira a haver Uma verdade absoluta ou um terminus desta guerra Existe apenas a ideia de que algum dia Por algum motivo certamente fora do meu controle Poderá haver algo exterior a mim Que dite algum sentido de realidade Ou alguma lógica alternativa que me leve a uma paz de armas… Eu contra eu De armas invisíveis Empunhadas sem qualquer rancor Nesta batalha que luto desde sempre Contra este eu invisível e indissociável de mim mesmo. Que sou eu se não eu mesmo que não sei como ser eu porque de outra forma não me conheço?

Saudade

Sentir saudades de alguém É esperar por essa pessoa num ponto que não existe É ver a sua cara na cara de todas as pessoas que passam É sentir a sua falta a cada segundo que passa É imaginar que chegam… Sentir o cheiro do seu perfume Ouvir os seus passos pela casa Ouvir a porta a abrir e pensar que entrou Pensar que esta aqui, sempre por perto Sentir saudades de alguém… Sentir saudade de ti É ver tudo em tons de cinzento Viver uma vida monocromática Preencher a vida vagamente com coisas insignificantes… Sentir saudades de ti, é desejar falar contigo e não poder…

Alma Vazia

Segue o seu caminho, enfim Qual cadáver animado Simples concha sem alma Cárcere rompido e corrupto Que se arrasta por entre a lama da vida E todos o olham com olhos ignorantes Pensando que não sofre mais que uma leve patologia… Assim é este ser corpóreo De tez incerta Medula corrompida E triste olhos lacrimejando os horrores desta vida E ainda assim um sorriso ao amigo quando necessário… Assume um lado sinistro Um sorriso caloroso mas triste Um olhar distante mas presente Uma presença constantemente inconstante. O seu coração não é mais que engrenagens que giram sobre um eixo calcinado e desgovernado Que anseiam por parar E deixar a sua existência ao abrigo do Inverno Pois o Verão queimou o que foi plantado no Outono e o que a Primavera tratou… Chora As lágrimas correm o seu rosto Por essa pele maltratada pelo tempo e doente pela vida… Chora por um amor ausente e inconstante Que nunca teve como seu Mas que sempre desejo...
Somos essa geração perdida, filhos de ventos glaciares e horrores passados, tempos em que a vida tão só brilha nas lágrimas de quem nasce e nos olhos de quem morrer… Somos, pobres de nós, aleijados da vida, cruéis seres, mendigos sociais, vampiros sociológicos, cruéis, até por vezes humanos se comparados com a sociedade que se suporta de nós. Nós, sim nós, que gritamos tantas vezes esses gritos de mudança, que qual lobos a lua deitamos os nossos uivos… Nós, deitamos nesses mundo, espalhados por essas terras férteis, crianças de imaginação fúnebre, crianças de vidas negras… Nós, que pelo que fazemos somos nós próprios, nós que nos distinguimos que tudo o que vós sois, uma voz menor, uma consciência inconsciente… Nós que para vós não temos honra, carácter ou qualquer valor, somos se não o que vocês gostariam de ser… Nós… Nós somos senão um pó de uma vida passada, cinzas lançadas ao ar e ainda assim o medo que se instala nos vossos olhos, temor de algo que não conheceis mas ...
Hoje quem sabe a arte volta. Retomo esta velha ideia, esta velha consciência em que simplesmente por mais que façamos ou que tentemos ser algo para alguém simplesmente não vale a pena ser mais do que alguma vez seríamos para nos próprios. E sinceramente, isto dói. Não perguntem porque, explicar demoraria uma eternidade, ou se perguntarem, eu tentarei responder mas provavelmente apenas metade dos que se dignarem a ler alguma vez compreenderam isto e os que julgarem compreender estarão enganados. Creio, contudo que quem não entender isto esta perto realmente de atingir algo. É Assim a vida, lutamos simplesmente por um ideal por vezes estranho incoerente ou simplesmente inexplicável, acreditem no que quiserem, cada verdade tanto por ser um empirismo como um niilismo uma, falácia ou uma coincidência simplesmente. Quanto a mim, todo o conjunto de normas por que me rijo, valores que aplico a cada coisa ou a cada caso concreto, são quase constan...
Tenho passado estes últimos tempos a procura de uma resposta simples, contudo cada vez que parece que me aproximo dela, mais me afasto realmente dela. Não sei, realmente como atingir esse ponto onde possa afirmar que todas as opções são correctas, se por um momento tudo parece tão seguro, porque é que por outro é tudo levado como se apenas fosse um castelo de areia sujeito as mares? Ultimamente espero então essa resposta, já se faz tarde na vida, já se faz tarde no tempo… Como assegurar esse sentimento sem que se perca tempo ou se perca este animo ou desanimo? Já nem o sei dizer com certeza de felicidade ou desespero de solidão… Como sentir?... Se o desejo, impele a razão… Como desejar algo que queremos com tanto desejo? Se esperamos, se desesperamos por algo que não seja mais que um sinal de vida exposto a um nível que nem a alma possa percepcionar e se o entenda o tenha como sendo algo tão superior a si que só possa ser nobre… Então, a procura por essa resposta é senão um...
Mergulhei no teu olhar Ousei sonhar, como só se ousa sonhar por quem se ama Exprimi o meu sonho, olhei para ti, uma lágrima correu o teu rosto A alegria exprimiu-se suavemente no teu sorriso Como tentaria eu de outro modo querer-te? Como seria não pensar em ti… Como é assim amar-te, como é assim viver sem ti aqui… Hoje, acordei e tentei ver-te, apertou-se a alma… Hoje, esperei por ti num sonho e só me veio a tormenta… Como queria eu abraçar-te neste momento Como queria eu ter-te sempre perto… Assim imerso neste sonho, neste manto de solidão Espero por ti… Sinto a tua falta…

De novo para ti

Não consigo… Não consigo não pensar em ti. Não consigo simplesmente eliminar-te da minha memória, retirar cada traço teu do meu pensamento, extinguir-te, esquecer que alguma vez te conheci… Criar uma ideia de que nunca foste mais que uma ilusão, antes queria gritar eliminar toda esta raiva do meu peito, deixar em pratos limpos tudo que queria dizer, não deixar num pensamento tudo o que significas para mim… A ideia senta-se ao lado da loucura e a loucura clama violentamente por ti… A minha vontade é atirar-me ao chão e tentar nunca mais me voltar a levantar… O meu desejo era simplesmente ter-te. Não fazer acreditar em nada e simplesmente demonstrar-te as coisas. Simplesmente perceber porque motivo acontece isto, porque motivo partes sem me dar um porque, porque te fechas e desapareces do meu mundo, quando no fundo ele agora é teu e só teu, sendo eu apenas um inquilino extra nele… Sim, sinto saudades tuas, dizer-to de outra maneira é impossíve...

Mensagem

Toca-me hoje a alma, desfeita a sombra do teu ser… Beija-me este rosto, cansado da vida mal vivida Deixa-me existir, a vida não foi feita para pensar, deixa-me na estupidez do meu ser, se assim ao menos não pensar em ti… Tira-me esta agonia, esta dor, esta tristeza, esta solidão sofrida do peito… Deita-me por terra, tira-me o orgulho, o engenho, o pensamento, tudo o que possa fazer de mim quem eu sou… Atira-me a um canto e deixa-me assim inconsciente do meu ser… Mata-me, retira-me esta vida inútil, fecha-me os olhos a esta dor terrível que me aflige o peito, deixa-me morto, pois só assim posso pensar em descansar… Que queres que te diga? Queres que te minta em palavras que me dilaceram e me corroem?! Queres que me prostre a teus pés e chore? Queres que te diga que isto foi só um engano e que tudo o que digo não passa de uma ilusão que quero fazer passar a teus olhos, alma e mente?! Queres que me doa? Queres que me arda?! ...

Morto, nada é nada

Mata-me esta dor de viver, atado a esta vida iludida, enterrado nesta história interminável, arrastada em campos de memoria que se envolvem na corrente do tempo perdidos na infindável história que nos empata a dois... Compreendo-me como uma pessoa funesta, não existe sentimento que se não o da afectiva fraternidade... Odeio essa história, odeio o seu escritor, todas as suas memórias são falácias mudas escritas em linhas invisíveis tratadas por crianças mudas... Odeio todo este mundo, as suas mentiras de felicidades, as formas em como põe mascaras na cara de todos e apenas demonstra essa falsa felicidade tão facilmente lavada pela chuva. De novo a queda. Quem pede para não se levantar?! Quem deseja a queda?! Quem me dera a mim não sentir... Que o sentimento fosse nada mais nada menos que uma memória de um segundo perdido. Nada, não sentir, não pensar, não ser... Pura e simplesmente não ter nada, desaparec...

Para ti, gatinha

Sob teu rosto compus este texto… Por ter visto as tuas lágrimas, quis que flui-se como um rio… Por ti humildemente criei este caminho, este rumo de palavras, com a esperança que, de algum modo, ele te trouxesse até mim… Por ti, gatinha, escrevi algo que me parece um tanto ou quanto vazio, porque este todo, neste total excerto de pura saudade o que necessitava dizer é que sinto a tua falta… Não mencionei, nem mencionarei jamais o teu nome. Apenas tu o sabes, apenas tu deverias entender a razão de tudo, o impossível, o real, o irreal… Todos esses textos românticos, ultra românticos, patéticos, simpáticos, alusivos, como queiras, encaixa-os todos neste só momento e de seguida destrói-os. Apenas e só então deixarei para ti esta mensagem visível aos olhos de todos mas apenas dirigida a ti… Sinto a tua falta…

Sinto...

Como se fez o silêncio. Trazido pelas tuas mãos… Como se cobriu tudo de trevas e me trouxeste a solidão… Porque matas-te a esperança… E todo esse ouro, não passava de magia e ilusão, fogo de vista que inconscientemente me aquecia… Porque te vais, se tudo aspira a isto? Porque dúvidas e aspiras a solidão? Porque te odeias e não deixas que te amo? Porque choras? Porque sofres? Porque? Porque? Porque? Clamas tudo isto e não deixas que te dê a mão? A ferro e fogo, cru e morto, arrancas este pedaço de mim, que te ama… Incendeias essa parte de mim… Nem reconheces que me estas ardida, queimada viva na alma… Porque entraste? Porque me deixaste assim a vida? Ao menos deita-me ao chão, retira-me toda esta ilusão, deita-me abaixo, semimorto mas ainda vivo, pronto para abate… Agora deixa-me dormir… Permite-me tentar esquecer-te… Mas esquece que te disse isto… Nem um rio de lágrimas me lavam a memória…

A ti....

Caio em pedaços, consciente desta dor, mil facadas espetadas neste peito, revoltado em dor de pranto cruel, composto numa pira funerária... Descuido esta dor, revolta do ser existente... Não conheço nada mais do que me das em letras mais cinzentas que a vida... Sinto esta solidão latente do teu desejo de amar, mas em conflito com o teu desejo de solidão... Afundo-me, caio neste mundo sem paralelo onde me deixas em pranto morto e onde toda a vida jaz como uma sepultura aberta onde alguma forma superior de existência decidiu por cinismo cuspir a vida e trazer um vazio a vida... Caio afundado neste desespero, nesta dor, nesta solidão em que me enterras-te e a qual me condenas-te... Erro por essas ruas, cadáver deambulante morto, queimado pelo teu fogo por dentro, por fora apenas uma casca vazia que me transporta. A ironia de todo o momento, o desejo de sentir esta vida como um bem primário, o desejo de elevar esta alma a um ponto em que tu a pudesses ver brilhar, todo o desej...